27°
Máx
13°
Min

Manifestantes protestam contra nomeação de Lula na Av. Paulista

Um grupo de 30 manifestantes iniciou uma vigília no vão livre do MASP, na Avenida Paulista, nesta quarta-feira, 16, contra o que chamam de "golpe petista" - em referência à nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro-chefe da Casa Civil.

A manifestação, que estava prevista para começar às 18h, foi antecipada por um aposentado. Com um pedaço de papelão nas mãos, onde se lia "FUGIR JUSTIÇA NÃO", ele se colocava em frente dos carros e pedia buzinadas de apoio. "Saí da zona norte, peguei metrô, e estou aqui fazendo a minha parte. Lula não pode ser ministro. Isso é um golpe", disse Lorival Andrade, 57 anos.

Lorival conquistou muitas buzinadas de apoio, mas reagiu mal à crítica de um outro aposentado que reclamou do pouco talento do manifestante em produzir cartazes de impacto. "Com esse papelão, essa letra verde pequenininha, não há Cristo que consiga ler. Tem que se manifestar, mas com capricho", argumentou Antônio Campos, 68 anos.

Às 18h, quando outros manifestantes chegaram, o discurso era que o horário escolhido para a manifestação era propício para "trabalhadores de verdade é que pagam seus impostos". Assim, entre outros imprevistos, a designer de joias Flávia Lecena confirmou que precisou desmarcar a terapia para participar do evento ("o que era um absurdo porque terapia é bastante caro", disse ela).

Aos gritos de Lula na cadeia, o grupo se mostrou dividido em relação à ideia de permanecerem no MASP até Lula desistir do ministério. "Aqui é perigoso, passou de certa hora fica cheio de maconheiro e black bloc", disse Carmen Lucci, 65 anos. Já o biomédico Lucas Egas, 33 anos, espera revezar com outros amigos e passar o tempo que for necessário no vão livre do MASP. "O problema é que os chamados coxinhas trabalham", disse irônico.

Os manifestantes empunham bandeiras do Brasil e seguram cartazes com críticas a Lula assumir o cargo. As frases "Lula na cadeia" e "Fora PT" são repetidas pelos participantes do protesto.

A manifestação não chegou a atrapalhar o trânsito. Os participantes só invadem a pista quando o semáfaro está fechado.

Segundo a porta-voz do movimento Nas Ruas, Carmen Lutti, que é assistente social e advogada, o ato foi organizado por um "grupo de cidadãos indignados". Ela disse que o movimento ainda não tem nome oficial e é formado por amigos e integrantes do Nas Ruas.

A porta-voz afirmou que o buzinaço vai continuar até as 22h, quando o fluxo de veículos tiver reduzido.