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Marina diz que saída pelo TSE é o caminho ético

A ex-presidenciável Marina Silva lançou, nesta terça-feira, 5, uma campanha da Rede Sustentabilidade que defende novas eleições diretas no Brasil. O partido de Marina entregará hoje uma petição para reforçar o processo de cassação dos mandatos da presidente da República, Dilma Rousseff, e do vice Michel Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em seu discurso, Marina afirmou ainda que Dilma só não renuncia ao cargo porque "não é razoável para entender a magnitude da crise" e que o impeachment não é um golpe.

"Está nas mãos do TSE. Se ficar comprovado que o dinheiro do Petrolão foi usado para as eleições, de forma espúria, há de se cassar a chapa", disse Marina. Para ela, o processo de impeachment "cumpre com a legalidade, mas não com a finalidade". A saída pelo TSE, defendeu Marina, "é o caminho ético". "O que cumpre com a formalidade e alcança a finalidade de dar um novo rumo para a nação, de repactuar as bases para a saída da crise, é o TSE, são as novas eleições. Os ministros do TSE poderão devolver a 200 milhões de pessoas a possibilidade de reparar o erro a que foram induzidos a cometer."

Marina negou as acusações de que sua defesa pela cassação dos mandatos de Dilma e Temer seja oportunista e defendeu que o candidato que for eleito nas novas eleições, em um período de dois anos, não deverá se candidatar novamente nas eleições de 2018. "O governo só não cai porque não tem para onde cair. O que está aí já não tem legitimidade e o que pode vir não tem factibilidade de resolver a crise." Marina destacou pesquisas recentes que indicam que Temer possui baixa popularidade, mas que a maioria da população quer novas eleições.

Para a criadora da Rede, "o PMDB é igualmente responsável pela crise", junto com o PT. "O presidencialismo de coalizão já deu o que tinha que dar. É preciso sair desse sistema baseado na distribuição de pedaços do Estado, para um presidencialismo de propostas, em cima de programas, de projetos. Se o PPS tem um grande quadro para a educação, ele tem que ser apresentado. Se o PSDB tem um bom quadro para economia, é ele que tem que ser apresentado. E assim por diante. Não é para arranjar um pedaço de um ministério para fazerem falcatruas. Tem que ser um governo programático, com isso, você pode compor a maioria no Congresso."

Lava Jato

Apesar de a Rede ainda não ter declarado um posicionamento sobre o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados, Marina destacou que, para ela, o processo de impedimento não é "golpe", nem pode ser "fabricado". "É um processo político que tem se explicitado cada vez mais com os fatos que vêm sendo trazidos pela Lava Jato", opinou. "Existem muitas formas de golpear a democracia e uma delas é a promiscuidade entre o interesse privado e aqueles que deveriam defender a República". Para ela, "é preciso que a justiça tenha sentido de urgência", pois o País vive um momento de "emergência política, social e econômica".

A criadora da Rede disse ainda que considera um erro tratar a justiça como um ato de vingança, elogiando o trabalho do Ministério Público, da Polícia Federal e do juiz Sergio Moro na condução da Operação. Para ela, só com o apoio da justiça a política conseguirá "recuperar a credibilidade para que políticos fora dos esquemas de corrupção possam governar". "Eu costumo repetir que, em uma democracia, quando a política se sente impotente para resolver seus problemas, e se as instituições de fato estão funcionando, ela acaba pedindo ajuda da justiça."