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Mensagem de Temer é que ninguém é insubstituível, diz Geddel sobre Lava Jato

O ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, afirmou nesta terça-feira, 31, que, se qualquer ministro, "efetivamente", tiver cometido algum ilícito, o presidente em exercício Michel Temer já avisou: "Deixa o governo e a vida continua. Vai entrar outro no lugar e tocar o governo. Ninguém é insubstituível". Geddel disse ainda que qualquer integrante do governo Temer que eventualmente seja citado na delação premiada do empresário Marcelo Odebrecht terá de dar explicações "do tamanho do problema que tiver".

"Deixa ver o que vem, se vem e como vem (sobre delação de Odebrecht). Esse negócio de falam, falam muitas coisas. Então deixe vir. Cada um que tiver que dar explicações vai ter que dar explicações do tamanho do problema que tiver", afirmou em entrevista na saída de almoço com líderes da base aliada da Câmara.

Questionado se o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves (PMDB), terá de deixar o governo por ser alvo da Operação Lava Jato, o ministro da Secretaria de Governo afirmou apenas que, na hora que surgir algum "problema específico, e se surgir", Temer tomará "medidas cabíveis".

O ministro da Secretaria de Governo evitou comentar sobre os áudios gravados pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado (PMDB) que provocaram a queda de dois ministros de Temer em menos de 20 dias de governo. "Ele foi presidente da Transpetro por 13 anos no governo deles (do PT), nomeado por eles", afirmou.

'Herança'

Geddel afirmou também que o presidente em exercício pediu aos líderes da base aliada da Câmara que façam a defesa do governo peemedebista, deixando claro a "herança" que ele recebeu dos governos do PT. Temer e Geddel participaram de almoço com lideranças aliadas nesta terça-feira, 31, na residência da família do líder do PSD, deputado Rogério Rosso (DF).

"(Ele passou uma mensagem) de otimismo, de continuar nessa batida, de mostrar de forma clara no debate no Congresso Nacional que somos um governo de 20 dias, que herdamos um País no caos", afirmou o ministro na saída do evento. "Temos que deixar de forma bastante clara que ninguém pode esquecer o que estamos herdando e que essa gente que hoje faz pose de maior oposição do mundo foi a grande responsável por tudo isso que esta acontecendo no Pais", acrescentou.

Geddel ressaltou que Temer herdou um governo com R$ 170 bilhões de déficit nas contas públicas, com inflação de dois dígitos e com desemprego de mais de 12 milhões de pessoas. De acordo com o ministro, Temer pediu que os líderes aliados mostrem para a sociedade que o governo está tomando as medidas corretas para retomada do crescimento econômico, e não medidas "populistas".

Ministério

Com a saída de Fabiano Silveira do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle nesta segunda-feira, Geddel disse discordar da defesa do nome de uma mulher para a pasta. Silveira pediu demissão após divulgação de áudio em que ele dá orientações ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), sobre como agir perante a investigação da Operação Lava Jato. A conversa foi gravada pelo ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado.

"Eu divirjo disso, porque considero uma ofensa à mulher. Tem que encontrar uma pessoa competente, e se essa pessoa competente for uma mulher, bacana. Essa questão não é, na minha avaliação, de gênero apenas. Essa questão é de qualificação", afirmou. "Portanto, ele vai procurar alguém qualificaDO, seja homem, seja mulher ou de qualquer outro sexo", acrescentou o ministro da Secretaria de Governo.

Geddel Vieira Lima também disse não concordar com a tese de que o novo ministro da Pasta deve ser necessariamente um funcionário de carreira ou um técnico. "Aquele Paulo Roberto Costa era o que? Deu no que deu", afirmou, ao se referir ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobras. Costa foi um dos principais delatores do esquema de corrupção na Petrobras investigado pela Operação Lava Jato.

O ministro disse ainda que não houve resistência do presidente em exercício a demitir Silveira. Segundo Geddel, o ex-ministro "se antecipou" à decisão de Temer, ao pedir para sair. "Ele é presidente da República, não é jornalista, que tem que escrever a primeira informação", afirmou.

Geddel também negou que a saída de Fabiano tenha abalado a relação com a base aliada e, principalmente, com o presidente do Senado, Renan Calheiros. O senador é apontado como um dos fiadores da indicação do ex-ministro. Após negar que Silveira tenha sido indicação de Renan, o ministro da Secretaria de Governo afirmou que não houve problemas na relação entre o governo Temer e o presidente do Senado após a saída de Silveira.