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Mensalão e esquema da Petrobras eram semelhantes, diz procurador

(Foto: Paula Schreiber) - Mensalão e esquema da Petrobras eram semelhantes, diz procurador
(Foto: Paula Schreiber)

A participação de João Claudio Genu, assessor do ex-deputado federal José Janene, morto em 2010, fornece uma maior nitidez na relação entre o esquema do Mensalão e o da corrupção na Petrobras. Essa é a opinião do delegado da Polícia Federal Luciano Flores de Lima sobre a 29ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta segunda-feira (23).

O assessor foi o principal alvo desta fase, demonstrando que ele recebia mensalmente valores de propina, mesmo não tendo cargo público ou político, pelo menos até 2013. Isto aconteceu mesmo quando Genu era investigado e foi condenado no processo do Mensalão. Ele não cumpriu pena por corrupção porque o crime prescreveu. E foi absolvido da acusação de lavagem de dinheiro após recursos na Justiça.

“As investigações demonstraram que, apesar de existir um esquema de corrupção gigante no Brasil há muito tempo para sangrar os cofres públicos - em especial o da Petrobras - e os envolvidos serem processados e condenados, estas pessoas ainda continuam sendo investigadas e presas. Genu é um dos principais responsáveis por esta sangria, desde os tempos do Mensalão”, afirmou durante entrevista coletiva na sede da superintendência da PF em Curitiba.

De acordo com Lima, Genu continuou praticando os mesmos crimes pelos quais foi condenado no Mensalão e recebeu repasses mensais de dinheiro entre 2005 e 2013. A continuidade na prática criminosa aconteceu também com outros personagens do Mensalão e da Lava Jato, como no caso do ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu. “São esquemas semelhantes, evidenciados por um quadro de corrupção generalizada e sistêmica no país. São casos distintos, mas os personagens se repetem”, considerou o procurador da República Diogo Castor de Matos, que integra a força tarefa da Operação Lava Jato.

Luciano Flores de Lima, delegado da Polícia Federal (Foto: Paula Schreiber / Massa News)Luciano Flores de Lima, delegado da Polícia Federal (Foto: Paula Schreiber / Massa News) 

O que chamou atenção é que os repasses recebidos por Genu, todos em espécie, eram para uso próprio. Ele não exercia uma função de operador ou de outros envolvidos que faziam a distribuição dos recursos de propina. “O que Genu sacava era para ele mesmo. Isto é prova do grau de importância dele no esquema, mesmo não sendo parlamentar. Era um dos principais ‘cabeças’ do esquema de distribuição de vantagens indevidas, tanto que ele tinha um percentual fixo de recebimento. A detenção dele foi imprescindível para parar estes repasses e para o bom andamento das investigações”, explicou Matos. Pelo menos R$ 2 milhões de propina teriam passado nas mãos de Genu.

Além do assessor, foi preso na operação de hoje Lucas Amorim Alves, sócio de Genu em empresas de construção civil em Brasília. Estas empresas movimentaram pelo menos R$ 7 milhões em recursos sem origem comprovada. Neste caso, os procuradores e os policiais federais ainda investigam a participação da mulher e do cunhado de Genu no esquema.

Diogo Castor de Matos, Procurador da República (Foto: Paula Schreiber / Massa News)Diogo Castor de Matos, Procurador da República (Foto: Paula Schreiber / Massa News) 

A força tarefa da Lava Jato também suspeita que existem ativos ligados à Genu no exterior. Para mandar o dinheiro para fora do Brasil, Genu teria auxílio de Humberto do Amaral Carrilho, outro investigado desta fase da Operação Lava Jato. A Justiça expediu um mandado de prisão contra ele, que não foi localizado. Carrilho está no exterior e é considerado foragido.

Além deste viés, Carrilho também teria contato direto com o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Ele foi beneficiado com um contrato para operação de um terminal da Petrobras no Rio Amazonas, mesmo a empresa tendo uma unidade no local. “Deu-se preferência para um contrato terceirizado para continuar esta operação e, por conta disto, Carrilho passou a pagar uma ‘mesada’ para Paulo Roberto Costa”, esclareceu Matos.

Colaboração Paula Schreiber