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Microsoft anuncia fechamento de 27 lojas físicas no Brasil

A Microsoft vai fechar 27 pontos de venda físicos no Brasil. A decisão, confirmada nesta quarta-feira, 2, pela empresa atinge a rede da franqueada Águia Telecom, responsável por lojas e quiosques espalhadas por oito Estados do País. Chamadas de Microsoft Stores, essas lojas ocuparam antigos espaços de venda de produtos da finlandesa Nokia, adquirida pela empresa do Windows em 2013.

Em nota enviada ao jornal "O Estado de S. Paulo", "a Microsoft confirma o fechamento programado de determinadas lojas físicas da marca Microsoft Store - Revendedor Autorizado no Brasil", afirmando que esta é uma decisão estratégica e feita em conjunto com seus franqueados. No mesmo comunicado, a empresa esclarece que "continuará com o serviço online da marca, operando normalmente e atendendo todo o território nacional".

Única loja do Estado de São Paulo mantida pela empresa, o ponto de venda do Shopping Eldorado tinha um espaço dedicado para produtos e novidades especiais da companhia. Em uma seção específica, era possível testar o sensor de gestos e voz Kinect, vendido em conjunto com o videogame Xbox. Procurados pela reportagem do jornal, vendedores da loja disseram não saber sobre o fechamento do estabelecimento.

No Rio de Janeiro, fecharão as portas seis lojas e três quiosques da empresa, todos localizados em shopping centers do Estado. A Águia também fecha seus espaços em Minas Gerais, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraná e Amazonas.

As lojas de Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Pernambuco e Sergipe - 23 ao todo - continuarão abertas, uma vez que não são vinculadas à rede da Águia Telecom. Procurada, a rede de franqueadas Águia Telecom não respondeu às solicitações da reportagem.

Lumia

O fechamento coincide com o mau desempenho da linha de smartphones da Microsoft. A estratégia da companhia foi reduzir seu ritmo de lançamentos, focando em aparelhos premium como o Lumia 950.

No último trimestre de 2015, a linha teve queda em vendas de 57%, na comparação com o mesmo período do ano anterior, com 4,5 milhões de unidades entre outubro e dezembro - índice mais baixo de vendas desde o final de 2012 e responsável por apenas 1% do mercado global de smartphones.

Como base de comparação, a Apple teve um aumento de 0,4% na venda de iPhones (batendo mais uma vez um recorde histórico), e a Samsung teve crescimento de 14%, no mesmo período.

A empresa enfrentou ainda o fato de que seu sistema operacional móvel, o WindowsPhone, não empolgou os usuários. "Muitos usuários reclamavam da falta de aplicativos e da ausência de atualizações", diz Leonardo Munin, analista da consultoria IDC Brasil.

Para o especialista, fatores como a crise, a alta do dólar e o fim da MP do Bem, que isentava smartphones de até R$ 1,5 mil de PIS/Cofins, podem ter afetado a decisão da Microsoft por aqui. "O mercado brasileiro teve queda de 15% em 2015, e deve ter a mesma queda em 2016", explica Munin.

Para Eduardo Pellanda, professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio Grande do Sul, a Microsoft não conseguiu transformar "o potencial da Nokia em inovação". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.