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Ministro Marcos Pereira avisou Temer que não continua, se reformas não avançarem

O ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), Marcos Pereira, fez nesta segunda-feira, 8, um duro discurso durante evento na Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Ele afirmou não acreditar que o governo consiga avançar com reformas importantes antes das eleições municipais de outubro, mas disse que é preciso enviar as propostas ao Congresso até o fim de novembro, para conseguir aprová-las no primeiro semestre de 2017. "Se não aprovarmos no primeiro semestre, não se aprova mais nesse governo", afirmou.

Ele acrescentou ainda que já avisou ao presidente interino, Michel Temer, que, se ver que as reformas não estão avançando, não pretende ficar no governo. "Eu volto para meu escritório de advocacia", afirmou.

Pereira não fugiu de temas polêmicos e disse que, dentro da reforma trabalhista, defende a terceirização, o trabalho intermitente e que o acordado prevaleça sobre o legislado. O ministro também disse que é preciso rever a isenção de tributação sobre importações abaixo de US$ 50,00.

Ele afirmou que se reuniu recentemente com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e pediu que nas discussões da reforma do PIS/Cofins não se eleva a alíquota. "Nós sabemos que a situação fiscal é extremamente difícil, mas precisamos dar fôlego ao setor produtivo. Eu disse ao Ministério da Fazenda que todos os empresários estão sufocados, e não podemos matá-los. Se a economia reage, isso gera renda e emprego."

O líder do MDIC reforçou bastante que é preciso avançar na melhoria do ambiente de negócios, com modernização e desburocratização.

Serra

O ministro disse ainda que não é rival do ministro de Relações Exteriores, José Serra. "Eu disse a ele que nós não somos concorrentes, porque eu não sou candidato a presidente", comentou, dando a entender que o tucano pretende disputar as eleições presidenciais de 2018.

O tema surgiu após Pereira ser questionado sobre o que achava da transferência da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) do MDIC para o Itamaraty. Segundo ele, quando o presidente Michel Temer o convidou para assumir o ministério já havia avisado sobre essa mudança. "Eu não vou dar minha opinião pessoal aqui, porque vai parecer que eu estou advogando em causa própria. Eu espero que essa transferência não atrapalhe a promoção do comércio exterior", afirmou.

Segundo Pereira, Serra foi a primeira pessoa que ligou para ele após a aprovação do impeachment. "Depois eu fiz a ele uma visita de cortesia e deixei claro que nossos ministérios são complementares, não concorrentes", afirmou.

Mercosul

Sobre o tema do comércio externo, Pereira lembrou que o Mercosul vive um impasse em relação à presidência do bloco, que deveria ser assumida pela Venezuela, mas houve uma objeção de Brasil, Argentina e Paraguai. "Isso paralisa as negociações", apontou, lembrando que as conversas do Mercosul com a União Europeia já duram anos.

Ele disse ainda que o fato de o governo ser interino também é um empecilho. O ministro contou que, recentemente, durante reunião de ministros do G-20 sobre serviços, foram iniciadas diversas conversas, mas todos preferiram continuar as negociações com o Brasil somente após o fim do impeachment de Dilma Rousseff.