23°
Máx
12°
Min

Moções da ala oposicionista pedem que PMDB saia de imediato do governo

Apesar de a cúpula do PMDB ter decidido estabelecer um "aviso prévio" de 30 dias para desembarcar do governo da presidente Dilma Rousseff, diversos grupos apresentarão moções solicitando o desembarque imediato da legenda. Esses documentos não serão votados na convenção nacional do partido, neste sábado, 12, em Brasília, mas servem como gesto político. O evento focará na unidade em torno do nome do vice-presidente da República, Michel Temer, que assume o governo em caso de impeachment.

Na moção apresentada pela ala oposicionista do PMDB, parlamentares requerem "a imediata saída do PMDB do governo, com a entrega dos cargos em todas as esferas do Poder Executivo Federal, importando a desobediência a esta decisão da convenção nacional em instauração de processo ético contra o filiado".

No texto, o grupo cita as crises política e econômica do País, salientando também a "crise ética e moral que assola a Nação" e reforçam a insatisfação do PMDB com o governo, em linha semelhante à já expressada por Temer em carta a Dilma em dezembro do ano passado.

"Considerando que os peemedebistas, embora com assento no governo federal, jamais tiveram suas propostas consideradas, não sendo convidados a participar das decisões governamentais que levaram a essas crises", diz trecho da moção.

O PMDB tem atualmente, além da Vice-Presidência, seis ministérios - Saúde, Ciência e Tecnologia, Minas e Energia, Agricultura, Turismo e Portos. Na próxima semana, deve receber também a Secretaria de Aviação Civil, oferecida à bancada de Minas Gerais em troca de apoio à recondução do governista Leonardo Picciani (RJ) à liderança do partido na Casa.

Na carta, a ocupação de pastas é alvo de crítica. "Considerando a manifesta insatisfação dos filiados com a participação do PMDB nacional nos quadros do governo federal, traduzindo a idêntica perplexidade popular ante a ausência absoluta de perspectivas para o futuro".

Se o desembarque se confirmar, os ministros serão orientados a deixar as respectivas pastas. A ala oposicionista acredita que os focos de resistência serão pontuais, pois a maioria aceitará abrir mão do cargo tendo em vista a perspectiva de que Temer assuma a

Presidência, caso Dilma seja derrotada no processo de impeachment no Congresso.

O grupo também apresentou uma "Carta de Brasília". O documento é assinado por deputados estaduais e federais, mas, segundo o Estadão apurou, senadores como Romero Jucá (RR) também ajudaram a redigir o documento. O senador Valdir Raupp (RO) já se disse favorável ao desembarque.

"A mais grave das crises atinge a nação brasileira. Ela une a degradação rápida da nossa economia, o empobrecimento vertiginoso da nossa população, com a falência ética e moral nas relações políticas, e, coma falta de credibilidade do governo nacional", diz o texto da carta.

No documento, os peemedebistas dizem que "demônios" exorcizados da sociedade brasileira voltaram ao País, como a inflação e o desemprego. "Na base de tudo está uma condução desastrada do País, sem rumo e sem esperanças de melhora para a sociedade". O documento

chama o governo atual de "inchado" e "desacreditado".

"Diante de tal quadro, o PMDB não pode ficar de braços cruzados. É hora de nos posicionarmos, claramente, ao lado da sociedade e dos mais altos interesses nacionais"

Bahia

A pressão aparece também em outras moções. Em outro documento, que será apresentado pelo diretório da Bahia, comandado pelos irmãos oposicionistas Geddel e Lúcio Vieira Lima, há um novo pedido de desembarque. "Solicitamos a imediata saída do PMDB da base de sustentação do governo federal, com a entrega de todos os cargos em todas as esferas da administração pública federal", diz a moção.

Dentre os argumentos para o rompimento, o texto cita as "graves crises econômica, moral e política", "escolhas erradas nas ações do governo", "escândalos de corrupção" e o "anseio do povo brasileiro por mudanças". "O PMDB, embora tenha o vice-presidente da República e formalmente participe da base do governo, nunca foi chamado para discutir soluções econômicas ou políticas para o País", diz o documento.

Aviso prévio

A decisão de desembarcar gradualmente foi tomada após uma série de reuniões que envolveram Temer, os presidentes do Senado, Renan Calheiros (AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), além do ex-presidente da República José Sarney (AP), que deverá ser escolhido presidente de honra do partido.

Ao longo dos próximos 30 dias a orientação é não intervir no processo de decomposição do governo. Os parlamentares deverão ser oficialmente liberados para não votar de acordo com os interesses do Planalto.

Além de não estar na pauta oficial, peemedebistas dizem querer evitar o desgaste de anunciar o desembarque e, na próxima semana, receber mais um ministério, a Secretaria de Aviação Civil. Querem também ter a garantia de que o "divórcio" será aprovado, apesar de acreditarem que terão apoio da maioria do diretório nacional. Um representante da cúpula do partido próximo a Temer ressaltou a recente aproximação pública do PMDB do Senado, principal defensor do governo no Congresso, com o PSDB.