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MPF formaliza mais acusações contra Odebrecht, João Santana e Mônica Moura

(Foto: Geraldo Bubniak / Estadão Conteúdo) - MPF formaliza mais acusações contra Odebrecht, João Santana e Mônica Moura
(Foto: Geraldo Bubniak / Estadão Conteúdo)

O Ministério Público Federal divulgou em entrevista coletiva realizada nesta tarde (28), duas novas denúncias que envolvem entre outros, Marcelo Bahia Odebrecht, o marqueteiro do PT, João Santana e sua esposa Mônica Moura.

Conforme a procuradoria, as acusações são pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro e partem das investigações das fases 23ª e 26ª da Operação Lava Jato, que trataram de investigações de pagamentos de propina a João Santana e a suspeita de que a Empreiteira Odebrecht dispunha de um setor específico para pagamentos de vantagens indevidas a funcionários públicos.

O procurador da república Deltan Dallagnol, destacou que ao todo são 17 denunciados. Na primeira denúncia os acusados são: Zwi Skornick, apontado como operador de propina; Eduardo Costa Vaz Musa, Pedro José Barusco Filho e Renato de Souza Duque, ex-diretores da Petrobras; Monica Regina Cunha Moura; João Cerqueira de Santana Filho; João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT e Joao Carlos de Medeiros Ferraz, ex-presidente da Sete Brasil.

Já na segunda parte das denúncias, referentes à Odebrecht, constam na lista nomes como o da secretária Maria Lúcia Guimarães Tavares, que fez delação premiada, também executivos e funcionários da Odebrecht, como Marcelo Bahia Odebrecht, Hilberto Mascarenhas Alves da Silva Filho e Luiz Eduardo da Rocha Soares; Fernando Migliaccio da Silva; Angela Palmeira Ferreira; Isaias Ubiraci Chaves Santos; João Cerqueira de Santana Filho; Olivio Rodrigues Junior e Marcelo Rodrigues. João Santana, Mônica Moura e João Vaccari Neto, constam nas duas denúncias.

As denúncias serão encaminhadas agora ao juiz Sérgio Moro, a quem cabe acatar ou não. Caso sejam aceitas, os acusados passam a figurar como réus na Justiça Federal.

(Foto: Divulgação/Carolina Gabardo)(Foto: Divulgação/Carolina Gabardo) 

Primeira

Na primeira denúncia, o MPF revelou que em meio a 23ª fase, Santana e Mônica figuram como suspeitos de terem recebido dinheiro do esquema de corrupção na Petrobras e do engenheiro Zwi Skornicki, apontado como um dos operadores do esquema descoberto na petrolífera. Os indícios apontam que Santana teria recebido US$ 3 milhões de offshores ligadas à Odebrecht, entre 2012 e 2013, e US$ 4,5 milhões do engenheiro Zwi Skornicki, entre 2013 e 2014. Zwi Skornicki representa o estaleiro Keppel Fels e teria participação no pagamento de propinas.

Os valores eram oriundos de contratos firmados com a Petrobras para a construção de quatro plataformas. Renato Duque e Pedro Barusco seriam os beneficiados nestes contratos.

As investigações ainda apontaram que a Odebrecht teria pago R$ 22,5 milhões ao codinome "Feira" no período entre outubro de 2014 e maio de 2015, quando a Operação Laca Jato já estava em andamento. ‘Feira’, seria o casal Mônica e Santana.

Segunda

Já a segunda denúncia se refere a 26ª etapa, que apontou que a Empreiteira Odebrecht teria criado um setor específico para ser responsável pelos pagamentos indevidos a funcionários públicos, referentes a contratos da empresa com o poder público. O casal “Feira”, teria sido beneficiado com esses pagamentos ilegais. Para o MPF, foram 45 pagamentos, que somaram R$ 23,5 milhões no período de outubro de 2014 e maio de 2015.

Esses pagamentos da Odebrecht estariam ligados a obras e serviços do governo Federal e também de municípios e estados. Os valores neste caso, distribuídos entre 25 a 30 pessoas, chegariam a R$ 66 milhões.