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Noam Chomsky defende Dilma e diz que ela é acusada por 'gangue de corruptos'

A presidente afastada Dilma Rousseff foi defendida pelo linguista e ensaísta norte-americano Noam Chomsky em declaração dada ontem para o DemocracyNow. "Uma líder política que não roubou para enriquecer a si mesma sendo acusada por uma gangue de corruptos, que fizeram isso (roubaram para enriquecer) é uma espécie de golpe branco", afirmou o intelectual. O vídeo com as declarações de Chomsky foi compartilhado nas redes sociais de Dilma.

Citando o New York Times, Chomsky diz que Dilma é "talvez a única liderança política que não tenha roubado a fim de beneficiar a si própria" e ressalta que a elite brasileira "sempre detestou" o PT "e está usando esta oportunidade para livrar-se do partido que ganhou as eleições".

O linguista disse ainda que acusações que constam no pedido de impeachment, como as chamadas pedaladas, não são suficientes para justificar o afastamento de Dilma e a sua eventual cassação. "Ela está sendo acusada de operações no orçamento que são bastante normais em muitos países, tirando de um bolso e colocando em outro. Talvez seja uma ação equivocada de alguma maneira, mas certamente não justifica um impeachment", afirmou.

Sem citar o vice-presidente Michel Temer, Chomsky destaca que os articuladores do impeachment "não estão esperando as eleições que eles provavelmente iriam perder". "Mas eles querem se livrar dela explorando uma recessão econômica, o que é grave, e uma corrupção maciça que tem sido exposta".

Ontem, Dilma recebeu manifestações de artistas brasileiros no Festival de Cannes. No tapete vermelho, os artistas levaram cartazes em inglês e francês afirmando que "um golpe aconteceu no Brasil".

Críticas a Lula

Em 2006, o ativista norte-americano assinou um manifesto internacional de apoio à candidata da Frente de Esquerda (PSOL/PSTU/PCB) à Presidência, a ex-petista e senadora Heloísa Helena (AL). O texto acusava o governo do presidente e candidato à reeleição pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva, de ter desapontado milhões de pessoas e afirmava que a parlamentar "levanta bandeiras históricas" dos movimentos sociais.