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'Nunca fui preso', desabafa Eduardo Capobianco

O empresário Eduardo Capobianco, um dos sócios da Construcap CCPS Engenharia e Comércio, negou categoricamente em depoimento à Polícia Federal, na Operação Abismo, qualquer tipo de envolvimento no suposto esquema de pagamento de R$ 39 milhões em propinas nas obras do Centro de Pesquisas da Petrobrás (Cenpes).

Na segunda-feira, 4, Capobianco foi alvo de condução coercitiva e de buscas realizadas pela PF. O Ministério Público Federal chegou a pedir a prisão temporária do empresário, mas o juiz federal Sérgio Moro rejeitou por entender que a medida cautelar era desnecessária

"Eu não fui preso, nunca fui preso", desabafou Eduardo Capobianco. "O juiz (Moro) não me incluiu (no rol dos que tiveram prisão decretada na Abismo). O juiz é um profissional sério. Fui depor e, em seguida, já estava liberado. Voltei para casa e já estou trabalhando normalmente", disse.

Ele refutou, ainda, a informação de que está sob monitoramento de tornozeleira eletrônica. Um irmão de Eduardo Capobianco, Roberto, foi preso em caráter temporário, por cinco dias. Eles são da mesma família de João Paulo Capobianco, que foi coordenador da campanha de Marina Silva à Presidência, pelo PV, em 2014. João Paulo, no entanto, não participa comercialmente dos negócios da família.

A Operação Lava Jato identificou o repasse de pelo menos R$ 2 milhões da Construcap para a empresa Legend Engenheiros Associados, que fazia parte da lavanderia de dinheiro do lobista Adir Assad - preso na Operação Saqueador, como operador de propinas da Delta Engenharia.

Documentos apreendidos na Operação Saqueador foram compartilhados com a Lava Jato e serviram de base para as buscas e prisões da Abismo. Entre eles, estão as notas da Legend, do operador Adir Assad, para a Construcap.

"A existência de transações da Construcap, Schahin e OAS com as empresas do operador Adir Assad é corroborada ainda pelos documentos apreendidos na Operação Saqueador, encaminhado a esta força-tarefa ministerial após autorização judicial. Mais especificamente, identificam-se notas fiscais da Legenda para OAS e Construcap", sustenta a Procuradoria da República.

Na segunda-feira, 4, a Operação Abismo saiu às ruas. Citado na investigação, Eduardo Capobianco depôs na PF e negou taxativamente envolvimento com o esquema de fraudes nas obras do Cenpes.

"Todo esse processo é normal, faz parte da vida, mas eu nunca fui na Petrobras", disse Eduardo Capobianco, inconformado com notícias de que tinha sido preso. "Só não quero que me coloquem na prisão. Nem que estou com tornozeleira eletrônica. Minha família inteira está aflita, constrangida. Os amigos ficam ligando, preocupados."