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Operação investiga se BVA fez repasses a políticos

Investigadores da Operação Greenfield, que apura desvios em fundo de pensão, querem saber ser o falido banco BVA e seus braços empresariais foram utilizados para camuflar o repasse de valores para políticos. A administradora de recursos do banco, Vitória Asset, foi citada duas vezes no relatório do Ministério Público Federal que embasou a operação.

A Greenfield apura "gestão temerária e fraudulenta" nos maiores fundos de pensão ligados a estatais cujos investimentos sob suspeita somam R$ 8 bilhões. Apesar da influência de políticos nos fundos, a operação, no entanto, não apontou a participação de agentes públicos no esquema.

Para chegar aos políticos, os investigadores da Greenfield devem utilizar informações da Operação Lava Jato. Uma empresa do fundador do BVA, José Augusto Ferreira dos Santos, já foi apontada como destinatária de propinas que seriam repassadas ao senador Romero Jucá (PMDB-RR). Em outra referência, o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró acusa o senador Edison Lobão (PMDB-MA) de ter interferido para que o Petros, fundo de pensão da Petrobras, investisse recursos no BVA.

O Petros foi um dos fundos que mais aplicou dinheiro na empresa de administração de recursos do BVA. Em 2013, segundo balanço, a Vitória Asset geria R$ 722 milhões que estavam aplicados em fundos de crédito repletos de operações originadas pelo próprio BVA. Ou seja, na prática, o Petros comprava a carteira de crédito do BVA, permitindo que o banco continuasse a operar.

Outros R$ 500 milhões foram aplicados em dois fundos que investem em participações de empresas, os chamados FIPs. Tratava-se do FIP Florestal, um dos sócios da Eldorado Celulose, do grupo J&F, e do FIP Multiner, empresa de energia que na época pertencia a Santos.

FIPs - As suspeitas levantadas pela Greenfield que envolvem o BVA dão conta justamente desses dois FIPs. Os procuradores afirmam que foram feitas superavaliações das empresas para prejuízo dos fundos de pensão. Segundo relatam fontes ligadas a fundos de pensão, essa era uma forma de desviar dinheiro para financiar campanhas eleitorais.

Além do Petros, também a Funcef aplicou nos dois fundos via Vitória Asset. No caso do FIP Multiner, ainda se juntaram o Postalis e outros sete fundos de pensão menores. Para os procuradores, o que agrava o caso Multiner, é que a empresa registrava prejuízos consecutivos e, mesmo assim, os fundos de pensão ainda fizeram um novo aporte, em 2012.

Procurado, Santos não atendeu às ligações da reportagem para falar sobre as citações que envolvem seu nome. O criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que representa Jucá e Lobão, disse que as afirmações dos delatores são "falsas". Afirmou que Jucá "jamais teve intimidade" com Santos e Lobão "não tinha amizade" com o empresário. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.