22°
Máx
14°
Min

Palocci era mais importante do que José Dirceu no esquema de corrupção, diz força-tarefa da Lava Jato

(Foto: Arquivo / Agência Brasil) - Palocci era mais importante do que Dirceu no esquema de corrupção
(Foto: Arquivo / Agência Brasil)

O papel do ex-ministro Antonio Palocci era maior do que o de José Dirceu neste esquema envolvendo o pagamento de propinas investigado pela Operação Lava Jato, pelo menos a partir de 2008. A relação direta entre Palocci e a Odebrecht teria movimentado cerca R$ 128 milhões - alvo da 35ª fase da Lava Jato, tendo o Partido dos Trabalhadores como destino. E os repasses aconteceram inclusive em períodos fora de campanhas eleitorais. Estas foram as principais revelações feitas pela força-tarefa da Operação Lava Jato durante entrevista coletiva em Curitiba, na manhã desta segunda-feira (26).

(Foto: Viviane Nonato / Massa News)(Foto: Viviane Nonato / Massa News)

Ainda está em investigação se Palocci se apropriou destes pagamentos feitos pela empreiteira. Serão aprofundadas ainda as investigações para saber o destino de R$ 70 milhões que também teriam sido movimentados dentro do esquema. A relação entre Palocci, dois assessores e a empresa foi aprofundada a partir de dados coletados em fases anteriores da Operação Lava Jato.

Na “Posição Programa Especial Italiano”, planilha que contabilizava os repasses articulados por Palocci, a movimentação indicava que funcionava uma ‘conta corrente’ do PT. Palocci seria o gestor desta conta, com registros de 2006 a novembro de 2013.

Foram contabilizados valores pagos aos publicitários João Santana e Mônica Moura, ligados ao partido. Foram repassados R$ 33,3 milhões em espécie e outros US$ 10 milhões por meio de offshore. Também foram identificados R$ 44 milhões de pagamentos em espécie para Juscelino Dourado, ex-assessor de Palocci.

A última atualização da planilha ocorreu em 25 de novembro de 2013, mesmo dia em que Marcelo Odebrecht e Palocci se encontraram. A força-tarefa da Lava Jato verificou 30 encontros entre Palocci e executivos da Odebrecht. Havia uma participação ativa de Dourado e do assessor Branislav Kontic na articulação de reuniões e repasses - os dois também foram presos hoje.

Esta planilha também indicou que a Odebrecht também tem envolvimento com a aquisição de um terreno para o Instituto Lula (diferente da atual sede). Os contatos entre Palocci e executivos da Odebrecht continuaram mesmo durante o andamento da Operação Lava Jato.

Odebrecht pagava as propinas apenas em questões em que pudesse obter vantagens, como no caso da medida provisória destinada a conceder benefícios tributários ao grupo (MP 460/2009) e no aumento de linha de crédito do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para serviços na Angola, além de outras obras e contratos com a Petrobras. Houve intervenção de Palocci quando licitações da empresa estatal foram canceladas e isto poderia prejudicar a empreiteira.

A força-tarefa informou que também estão relacionadas neste esquema obras de linha de metrô de São Paulo, serviço de tratamento de lixo em São Paulo, reforma de presídios no Rio de Janeiro e também obras relacionadas aos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro. As obras da Arena Corinthians, realizadas pela Odebrecht, também apareceram durante as investigações da Lava Jato, mas elas necessitam ainda de aprofundamento, segundo procuradores.

As prisões temporárias valem por cinco dias. De acordo com a força-tarefa, apesar da legislação eleitoral - que proíbe prisões, a não ser em situações de flagrante, a cinco dias das eleições -, não há impeditivo para mudar de temporária para preventiva, caso seja solicitada.