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Para ex-ministro de Lula, 'novo tipo de golpe está em curso'

Os acontecimentos recentes da crise política colocaram "à luz do dia" um "novo tipo de golpe de estado", afirmou, nesta sexta-feira, 19, o professor Roberto Amaral, que foi ministro da Ciência e Tecnologia no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e também ex-presidente do PSB (ele se desligou recentemente do partido, que está apoiando o impeachment da presidente Dilma Rousseff).

Para Amaral, este "novo golpe" constitui-se de ações aparentemente isoladas, mas que são planejadas, e é articulado por setores do empresariado, da alta burocracia estatal, do Judiciário e da grande imprensa. Ele criticou também excessos do Judiciário, personificados nas ações do juiz Sérgio Moro. "Estamos diante de uma partidarização do judiciário. Essa é a pior das ameaças para os direitos individuais", afirmou.

Amaral participa nesta sexta-feira, 18, do ato em defesa da presidente Dilma na Praça XV, centro do Rio, convocado pela Frente Brasil Popular, grupo formado por movimentos sociais, o PT e o PC do B. Ele considera a situação atual "grave", porque, segundo ele, setores do Judiciário funcionavam como garantia de direitos mínimos mesmo na época da ditadura militar.

Ato

Manifestantes que apoiam o governo da presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já se aglomeram desde o início da tarde desta sexta, em frente à Praça XV.

Por volta das 15h30, manifestantes escreviam em cartazes. O policiamento está reforçado na área. A reportagem contou nove carros e um micro-ônibus da Polícia Militar estacionados na Rua Primeiro de Março, ao lado da praça. Segundo Ricardo Pinheiro, vice presidente do diretório estadual do PT no Rio, a expectativa é que o evento "político cultural" atraia muita gente. "Aumentou a tensão. Quando aumenta a tensão, as pessoas acabam definindo os seus posicionamentos", disse.

O evento também contará com shows. Segundo a página do Facebook criada para o evento, são esperadas participações de músicos como Otto, Moacyr Luz e Pedro Luís. O vice-presidente do diretório do PT no Rio informou também que a organização do evento fretou ônibus para trazer manifestantes de regiões mais distantes, mas não precisou quantos. Até o meio da tarde, o clima era de tranquilidade, sem registros de incidentes. Mas há a expectativa de que haja um ato a favor do impeachment na Cinelândia, a poucas quadras da Praça XV.