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Paulo Rocha diz que bancada iniciou processo de 'maior sintonia' com o Planalto

O novo líder do PT no Senado, Paulo Rocha (PA), disse nesta terça-feira, 1º, que a bancada do partido iniciou um processo de "maior sintonia" com o Palácio do Planalto. "Nós não queremos ficar batendo cabeça", afirmou ele, ao elogiar as reuniões promovidas às segundas-feiras, no Planalto, com o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini.

No encontro dessa segunda, 29, que também contou com a presença do ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, os senadores trataram das propostas do ajuste fiscal, tão criticadas pelo PT durante a reunião do Diretório Nacional de sexta-feira (26), no Rio, quando o partido lançou o Programa Nacional de Emergência.

Na lista das medidas sugeridas pelo PT à presidente Dilma Rousseff, está o uso de parte das reservas internacionais para a criação de um Fundo Nacional de Desenvolvimento e Emprego.

O único ponto em que o PT e o governo concordam, até agora, diz respeito à volta da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), mas a medida enfrenta muita resistência no Congresso, assim como a reforma da Previdência. A tensão entre o Planalto e o PT aumentou na semana passada, depois que o Senado aprovou proposta do senador José Serra (PSDB-SP), retirando a exclusividade da Petrobras na exploração da camada pré-sal.

Na conversa dessa segunda com ministros, um dos senadores presentes disse ter se sentido "rifado" naquela votação, pois o governo mudou de posição na última hora, constrangendo a bancada. "Há muitas divergências, mas estamos tratando das saídas da crise", argumentou Rocha. "Na próxima semana, por exemplo, o tema da reunião (com ministros) será Previdência".

Lula

Além de se reunir com ministros, deputados e senadores do PT também querem conversar com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Ele vinha ontem (segunda-feira) aqui em Brasília, mas acabou não vindo. Deverá estar aqui nesta semana", disse Rocha.

Lula pretende insistir com Dilma sobre a necessidade de mudar a política econômica e lançar medidas para baratear o crédito e aumentar os investimentos, entre outros assuntos que compõem o cardápio da crise.

Alvo da Polícia Federal e do Ministério Público, o ex-presidente atuou nos bastidores para tirar José Eduardo Cardozo do Ministério da Justiça, sob o argumento de que ele não conseguia deter os abusos das investigações. Lula disse estar de "saco cheio" de falar todo dia que não é dono nem de um apartamento tríplex no Guarujá, reformado pela OAS, nem de um sítio em Atibaia, que também recebeu benfeitorias dessa empreiteira e de outras empresas na mira da Lava Jato.