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Pieruccini afirma em delação que entregou dinheiro à senadora Gleisi Hoffmann

(Foto: Foto: Geraldo Magela/ Agência Senado) - Pieruccini afirma em delação que entregou dinheiro à senadora Gleisi Hoffmann
(Foto: Foto: Geraldo Magela/ Agência Senado)

Aos poucos as ‘delações premiadas’ dos presos da Operação Lava Jato vão se tornando públicas, e com elas, revelações que comprometem vários políticos, grande parte deles, com foro privilegiado.

O depoimento mais recente tornado público, é do advogado Antônio Carlos Brasil Fioravante Pieruccini, de 67 anos, que de acordo com reportagem da Folha de São Paulo, relatou em delação que foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), o deputado federal Nelson Meurer (PP-PR) e o ex-deputado João Pizzolatti (PP-SC), receberam valores em dinheiro providenciados pelo doleiro Alberto Youssef, um dos principais operadores do esquema de propinas na Petrobras.

Conforme o relato do advogado, “ele fez entregas aos três citados”. Pieruccini é o terceiro entregador de dinheiro de Youssef que aceitou fazer delação na Lava Jato.

A íntegra de seis depoimentos prestados em fevereiro por Pieruccini –um dos quais foi citado, em parte, em relatório final da PF de março no inquérito que trata de Gleisi– foi tornada pública no dia 13 passado, após decisão do ministro do STF Teori Zavascki.

De acordo com ele, em 2010, orientado por Youssef, teria feito quatro entregas destinadas a campanha de Gleisi. As entregas foram feitas ao empresário Ernesto Kugler Rodrigues e os valores teriam sido combinados com Paulo Bernardo. As entregas, teriam sido feitas em uma sala no PolloShop, localizado na rua Camões, em Curitiba, pertencente ao empresário Ernesto Kugler Rodrigues. Pieruccini levou uma caixa lacrada com a inscrição "P.B./Gleisi".

“Na sua frente, segundo o advogado, Kugler contou as notas, em um total de R$ 250 mil, mas fez duas reclamações: o primeiro valor ‘não dava nem para o cheiro’ e a etiqueta da caixa não deveria mais aparecer nas próximas entregas –houve mais três, de mesmo valor, de acordo com ele.

Meurer e Pizzolatti

As entregas a Meurer, segundo o delator, foram "mais de 30" entre 2009 e 2011, quase sempre no hotel Curitiba, na cidade homônima, mas também no estacionamento do aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais (PR).

A Pizzolatti, segundo Pieruccini, houve duas entregas em dinheiro –a primeira, de R$ 100 mil, no segundo semestre de 2009.

A Procuradoria-Geral da República denunciou Meurer e dois filhos dele em 2015, sob a acusação de participação no esquema de desvio de recursos da Petrobras. Em março de 2016, apresentou denúncia contra Pizzolatti e outros seis deputados do PP.

Em relação a Gleisi, a Polícia Federal anunciou o indiciamento da senadora, mas o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, não concordou com a posição da polícia.

Ele alega que, em 2007, o Supremo proibiu a PF de fazer, por conta própria, o indiciamento de autoridades com foro privilegiado, como o presidente da República, ministros de Estado, senadores e deputados.

Versões

Gleisi e Paulo Bernardo negaram em depoimento à Polícia Federal, qualquer irregularidade na campanha de 2010. Bernardo disse que o empresário Ernesto Kugler já atuou, no passado, na "mobilização do empresariado para participar de reuniões no período eleitoral", mas não teve "nenhuma participação direta na campanha".

Gleisi afirmou à PF que conhece Kugler há "cerca de dez anos", que ele "participou de alguns eventos da campanha de 2010, mas não atuou na captação de recursos".

Kugler afirmou à PF que "nunca obteve" de Youssef "ou de emissário dele algum valor destinado à campanha" de Gleisi. Ele diz que não arrecadou recursos para a campanha de 2010.

Nelson Meurer afirmou à PF que “nunca teve qualquer movimentação financeira com Youssef", embora tenha estado no escritório do doleiro "duas ou três vezes", para acompanhar outro político do PP.

Pizzolatti, por sua vez, destacou que "nunca recebeu dinheiro de Youssef ou teve despesas pagas pelo doleiro".

Em nota, a assessoria da senadora também nega que Gleisi tenha recebido os valores. De acordo com o texto, "são inúmeras as contradições nos  depoimentos dos delatores, as quais tiram toda a credibilidade das supostas  delações. Um deles apresentou, nada mais, nada menos, do que cinco versões  diferentes para esses fatos, o que comprova ainda mais que eles não existiram."

Ainda segundo a assessoria da senadora, o fato do advogado Figueiredo Basto representar diversos delatores da Lava Jato demonstra que os depoimentos podem ter sido previamente alinhados. "Obviamente, tendo o mesmo advogado, os delatores poderão alinhar suas versões antes de prestar depoimentos, para, além de se protegerem mutuamente, não serem incoerentes com o que dizem e envolverem nesse esquema quem eles têm interesse efetivo de envolver", afirmou durante a nota.

Shopping

Em nota, "o Grupo PolloShop esclarece que Ernesto Kugler Rodrigues  tem como principal atividade a construção civil. Possui uma pequena  participação com ações no shopping e não tem envolvimento da gestão do  empreendimento, nem tem voz ativa nas decisões do grupo. A direção do  Grupo PolloShop não tem, e nunca teve, conhecimento de negociações feitas pelo  referido empresário dentro das instalações do empreendimento."

Colaboração Folha  de São Paulo