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Planalto vê plenário mais favorável; na comissão, acha que perde por pouco

O Palácio do Planalto acompanha com atenção a sessão da comissão especial de impeachment que está sendo realizada na Câmara dos Deputados. A presidente Dilma Rousseff se reuniu no Planalto com os ministros Jaques Wagner (chefe do Gabinete Pessoal) e Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) para fazer novo balanço da situação, mas deixou o Planalto mais cedo do que o de costume em direção ao Palácio da Alvorada.

A avaliação é de que, na comissão, dificilmente o governo consegue reverter os votos a favor do impeachment. Mas, mesmo assim, o Planalto continua investindo nos indecisos e tentando evitar novas defecções e traições como têm ocorrido em votações no Congresso. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o principal articulador da defesa da presidente e de convencimento dos parlamentares, embora outros ministros também estejam ajudando o governo.

Lula marcou um ida ao Rio de Janeiro para conversar com os peemedebistas do Estado. Nesta segunda-feira, 11, também há a previsão de que o vice-presidente da República, Michel Temer, vá ao Rio. Os dois lados querem conseguir apoio do PMDB do Rio, que está dividido. O governo não quer perder de jeito nenhum os cerca de 25 votos para o plenário, comandados pelo líder Leonardo Picciani. Daí, as investidas dos dois lados.

No fim de semana, Dilma se reuniu com ministros no Alvorada e, além de discutir a defesa que o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, estava apresentando na comissão especial, falaram da planilha de votos. Mais uma vez, o desempenho de Cardozo foi elogiado pela presidente e ministros. Neste momento, o governo considera que melhorou um pouco a situação de sexta-feira, 8, para a segunda-feira. A avaliação é de que eles perdem mesmo na comissão, embora os esforços continuem, "mas não será de lavada", comentou um assessor palaciano. "Vamos perder de pouco, o que não inviabilizará a votação em plenário", prosseguiu a fonte.

Na sexta, o governo avaliava que a sua margem estava mais apertada e que tinham apenas cerca de 180 votos para derrubar o impeachment, apenas oito a mais do que o necessário. Para esta segunda, depois do trabalho de Lula e dos ministros no fim de semana, a previsão é de que este número tenha voltado para os 200 votos e que poderá chegar até a 210 votos, em um cenário mais otimista. A votação em plenário é no próximo fim de semana.

A maior preocupação do governo é que surjam novas delações premiadas e que isso possa atrapalhar o clima no plenário e criar uma onda contra o governo, que acreditam terem revertido. Mas, até agora, de acordo com um dos levantamentos, já que vários mapeamentos estão sendo feitos, a derrota na comissão terá um impacto sobre o plenário, mas que isso não levará à derrota da presidente. Por isso, a disposição de continuar trabalhando os indecisos e os que reverteram seus votos de contra impeachment para pró-impeachment.

Assessores diretos de Dilma insistem na tese de que não existe crime de responsabilidade e que está sendo promovido um "linchamento público" da presidente. O governo também considerou, com base na última pesquisa Datafolha, que a oposição "passou do ponto" nos ataques à presidente e ao Planalto. O levantamento mostrou, entre outros pontos, que a intenção de votos pró PSDB não cresceu e que quem se beneficiou com o movimento deste momento foram Marina Silva e o ex-presidente Lula.