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Processo disciplinar contra Maranhão fica represado na Mesa Diretora da Câmara

Para frustração do PSDB, DEM e PPS, a Mesa Diretora não despachou para o Conselho de Ética, como era esperado, a representação protocolada nesta semana contra o presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA). Na primeira semana de atividades legislativas após a chegada de Michel Temer como presidente da República em exercício, os oposicionistas podem atrapalhar as votações de projetos de interesse do novo governo.

Os partidos esperavam que o segundo-vice-presidente da Câmara, Fernando Giacobo (PR-PR), assinasse nesta quinta, 12, o pedido de abertura de processo por quebra de decoro parlamentar de Maranhão. O presidente interino é acusado de abusar das prerrogativas de membro do Congresso Nacional ao assinar a anulação da votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara. Giacobo não veio à Câmara e mandou um recado informando que não pretende assinar o documento que daria início ao processo disciplinar.

Inconformado com a negativa de Giacobo, o líder do DEM, Pauderney Avelino (AM), contou que já tem preparada a questão de ordem que será apresentada em plenário na próxima terça-feira, 17, e a consulta à Comissão de Constituição e Justiça para declarar a presidência da Câmara vaga. Os partidos haviam dado um prazo até hoje para que Maranhão renunciasse ao cargo, mas o interino ignorou o ultimato. O pepista passou o dia dizendo a interlocutores que não abrirá mão do cargo.

Como adiantou o Broadcast Político, serviço em tempo real da Agência Estado, PTB, PSD, PR passaram a discutir a possibilidade de aceitar a permanência de Maranhão na presidência, desde que os membros da Mesa Diretora conduzissem os trabalhos, deixando-o "reinando", mas sem poder de "governar". Assim, o pepista seguiria na função, mas sob orientação principalmente do primeiro-secretário Beto Mansur (PRB-SP). As sessões plenárias seriam presididas por Mansur e a pauta de votações coordenada pelos líderes. A avaliação é que a proposta dos partidos do "centrão" tem por trás o presidente afastado da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que tentaria assim manter o controle sobre os rumos da Câmara. PSDB, PPS e DEM rechaçam a proposta.

Em conversa com Mansur, o novo ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, prometeu procurar líderes partidários para tentar negociar uma trégua de 15 dias na pressão pela renúncia de Maranhão. "Só aceito 15 dias com o colégio de líderes comandando e pautando as matérias", disse Pauderney. Com o impasse, Maranhão ganha sobrevida até a próxima semana.