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Protestos foram 'substanciais', mas não alteram condução do ajuste, diz Meirelles

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse nesta segunda-feira, 5, que o número de pessoas que protestaram contra o governo Michel Temer no domingo, dia 4, é "substancial", mas representa uma parcela minoritária da população. "Já tivemos manifestações muito maiores, já tivemos manifestação de 1 milhão de pessoas", declarou o ministro em entrevista na China, onde participou de reunião do G-20.

Segundo ele, é "normal" que aqueles que se opuseram ao processo de impeachment se expressem. "Não vejo isso como nenhum tipo de problema. Muito pelo contrário, acho que isso é parte da democracia, parte do debate livre do País, exatamente o que garante, legitima ainda mais o fato de que o processo é democrático, constitucional", disse. Na sua opinião, a existência de uma "discussão aberta" sobre o processo de impeachment ajuda a legitimá-lo "frente ao mundo".

Organizadores estimaram que 100 mil pessoas participaram do protesto realizado na Avenida Paulista no domingo. Como em dias anteriores, a maior parte da manifestação foi pacífica, mas depredações promovidas por pequenos grupos ocorreram no fim da noite.

Em entrevista concedida no sábado, 3, na China, Temer afirmou que os protestos contra seu governo eram "inexpressivos" e realizados por "grupos mínimos". Criticando atos de violência, ele se referiu a manifestantes com uma pergunta: "As 40 pessoas que quebram carro?". No mesmo dia, o ministro das Relações Exteriores, José Serra, também menosprezou os protestos, classificando os movimentos como "mini".

Meirelles sustentou que os protestos não vão atrapalhar a votação da proposta de emenda constitucional que estabelece um teto para o crescimento de gastos nem das propostas de reformas previdenciária e trabalhista, medidas consideradas impopulares. Segundo ele, o ajuste fiscal será "fundamental" para o processo de recuperação econômica, o que sensibilizará os parlamentares.

Integrantes do Congresso, no entanto, que também são sensíveis às urnas, pressionam o governo a adiar o envio do projeto de reforma da Previdência para depois das eleições municipais de outubro.

A intenção inicial do governo era mandar o texto ao Legislativo até o fim do mês. O ministro da Fazenda evitou falar em prazos e afirmou que o projeto será encaminhado quando estiver pronto. "É uma coisa que terá efeito por décadas", disse Meirelles, ressaltando que "um ou dois meses" não farão grande diferença.