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PSDB respalda pacote de 'bondades' de Temer

Apesar das cobranças de alas do PSDB por uma maior austeridade do Palácio do Planalto, as bancadas tucanas da Câmara e do Senado respaldaram as "bondades" do presidente em exercício Michel Temer. A radiografia das votações dos quase três meses da gestão interina, feita pelo Estado, revela que a maioria dos parlamentares da sigla tem aprovado as iniciativas no Congresso que implicam no aumento de gastos públicos e flexibilizam as contas de Estados e municípios.

Anteontem, o Estado apontou cobrança dos tucanos para que Temer deixe de fazer concessões após a votação do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. O partido defende uma gestão mais rigorosa com o controle das contas após a efetivação do peemedebista na Presidência. O Planalto, no entanto, avaliou que as críticas seriam mais "jogo para a plateia".

Em junho, por exemplo, a bancada do PSDB da Câmara concordou com a aprovação de um pacote de 14 projetos de reajuste de diversas carreiras públicas federais, com impacto para os cofres públicos superior a R$ 50 bilhões até 2019. Os deputados aprovaram esses projetos em votações simbólicas. O próprio líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy (BA), apoiou requerimento de urgência para acelerar a tramitação de algumas das matérias.

Posteriormente, no Senado, num acordo costurado pelo líder do governo na Casa, o tucano Aloysio Nunes Ferreira (SP), com o Executivo, os senadores do PSDB também decidiram apoiar a maioria dos reajustes.

No acerto, os senadores "seguraram" o reajuste do subsídio dos ministros do Supremo Tribunal Federal e do procurador-geral da República assim que chegaram à Casa. Na quarta-feira, contudo, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou o aumento dos magistrados - o texto terá de passar pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e pelo plenário. O senador tucano Ricardo Ferraço (ES) tinha um voto em separado contra o reajuste, mas o texto foi ignorado.

'Bomba'. Aloysio Nunes classificou o aumento como uma "bomba no orçamento". Ferraço, escolhido anteontem relator na CAE, chamou o eventual aumento de "vergonha", mas ainda não está fechado como será o encaminhamento do governo e do PSDB nessa matéria.

Reservadamente, uma liderança tucana afirmou que o PSDB não é formado por "suicidas políticos" ao justificar a contradição. "A gente aponta o que está errado, mas não vamos nos indispor sozinhos", disse.

O deputado gaúcho Nelson Marchezan Junior critica a postura do partido. "A minha defesa é de que o PSDB seja base de apoio para salvar o Brasil, não para afundá-lo", ressaltou.

Contudo, ele reconhece que os deputados vão acabar cedendo nessa matéria ao lobby dos grupos beneficiados com as eventuais mudanças. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.