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PT e PCdoB lançam movimento 'Temer, o ilegítimo' e prometem oposição

As bancadas do PT e do PCdoB na Câmara lançaram na tarde desta quarta-feira, 11, um movimento chamado "Temer, o ilegítimo", em oposição a um eventual governo provisório do vice-presidente Michel Temer. Os petistas enfatizaram que, após 13 anos como governistas, não se esqueceram como fazer oposição e que adotarão uma linha firme contra o peemedebista, chamado repetidas vezes de "golpista". A tendência de atuação das bancadas será de obstrução aos projetos enviados pelo novo governo.

Enquanto poucos deputados participavam de uma sessão não deliberativa no plenário, os novos oposicionistas organizaram um ato no Salão Verde da Câmara, com cartazes dizendo "Temer não será presidente. Será sempre golpista" e "Fora Temer. Cunha jamais. Fica Dilma". Os parlamentares se revezaram no microfone com palavras de ordem enfatizando que Temer não será reconhecido como presidente da República.

"Seremos oposição firme a Michel Temer. Não o chamaremos de presidente. E vamos avaliar as medidas dele criticamente", avisou a deputada Maria do Rosário (PT-RS). O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) disse que a assinatura de Temer não terá valor porque o peemedebista não teve nenhum voto para chegar à Presidência da República. "Não reconheceremos nenhuma assinatura dele", completou o deputado Paulo Pimenta (PT-RS).

A nova oposição tende a obstruir as matérias enviadas por Temer ao Congresso e anunciou que vai analisar cada caso, mesmo que as medidas sejam parecidas com as defendidas pelo governo Dilma Rousseff. O argumento para a rejeição às medidas do futuro governo Temer é que Dilma tinha a legitimidade das urnas para enviar projetos e o peemedebista não. "Nós sabemos muito bem fazer oposição e defender os interesses do Brasil. Não aceitamos que o voto seja rasgado", afirmou Maria do Rosário. "Vamos ter dois presidentes: uma legítima e outro imposto em situação de golpe", concluiu a presidente do PCdoB, deputada Luciana Santos (PE).

PT e PCdoB culparam a oposição por criar dificuldades econômicas para o País ao não aceitar o resultado das urnas em 2014 e acusaram os "golpistas" de interdição do governo Dilma Rousseff. Os partidos de esquerda anunciaram que farão obstrução política, que vão se opor à reforma trabalhista e da Previdência (principalmente na questão da criação da idade mínima para aposentadoria), serão à favor da taxação de grandes fortunas, de herança e lucro sobre capital próprio, além da revisão da tabela do Imposto de Renda e CPMF com faixa de isenção até 10 salários mínimos (com restituição através do Imposto de Renda e com alíquota superior as maiores movimentações bancárias). "Não vamos ser oposição boazinha não", avisou a senadora Maria Regina Sousa (PT-PI), que representou os petistas do Senado no ato.

O grupo comparou a situação do Brasil aos golpes parlamentares em países como Honduras e Paraguai e ressaltou que haverá mobilização das ruas para encurtar a passagem de Temer no Palácio do Planalto, que começará com grande instabilidade política e pouco apoio social. A aposta dos partidos é que Temer não terá condições de unir o País. "Vai ter luta nas ruas e no Parlamento. Não vamos aceitar esse governo biônico", disse Luciana Santos. "Serão 180 dias de muita luta", emendou a deputada Moema Gramacho (PT-BA).