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Repressão contra movimentos populares é tema central do Grito dos Excluídos

As manifestações do Grito dos Excluídos, que há 22 anos protestam, durante a Semana da Pátria, com a participação de milhares de pessoas, para reivindicar seus direitos e defender a dignidade do povo brasileiro, terão no dia 7 um foco especial, a perspectiva de medidas mais duras do presidente Michel Temer na repressão dos movimentos populares.

"Embora não seja essa a orientação da Coordenação Nacional do Grito dos Excluídos, é provável que os protestos se voltem para a questão do impeachment", disse Ari Alberti, do Serviço Pastoral dos Imigrantes, que participa do movimento. O lema é: "Este sistema é insuportável: exclui, degrada, mata". Foi inspirado nas palavras do papa Francisco, em discurso aos participantes do II Encontro Mundial com os Movimentos Populares, na Bolívia, ano passado.

A ênfase e algum enfoque especial dependem, segundo Alberti, das coordenações locais. É possível, prevê, que os protestos sejam mais fortes em cidades como São Paulo, Recife, Belém e Montes Claros, onde a violência da repressão policial tem aumentado nos últimos anos. Em Aparecida, onde há 29 anos se promove a Romaria dos Trabalhadores e Trabalhadoras, o tom costuma ser mais religioso e devocional, sem prejuízo de denúncias e reivindicações.

O bispo de Barretos, d. Milton Kenan Júnior, membro da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), afirmou em São Paulo, em entrevista coletiva sobre o Grito dos Excluídos, que a Igreja está com o povo na luta pela conquista ou reconquista de seus direitos.

Os líderes do Grito dos Excluídos alertam para os riscos que, mais do que em anos anteriores, o povo vai correr ao protestar nas ruas. A criminalização dos movimentos populares vem crescendo há algum tempo, mas "o tom agressivo do primeiro pronunciamento do presidente, quarta-feira, 31, deixa claro que não seria possível discordar".

A repressão contra protestos nas ruas de São Paulo, logo após a posse de Temer, mostra que a situação se torna mais delicada, mas apesar disso, "o povo tem de levantar a cabeça". Alberti disse que, embora as manifestações não prevejam ataques a Temer, os movimentos populares terão de aprender a lutar contra eventuais mudanças que prejudiquem o povo.