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Saída de Dilma só é celebrada se vier via Justiça ou urnas, diz The Economist

(Foto: Lula Marques/ Agência PT) - Saída de Dilma só é celebrada se vier via Justiça ou urnas, diz The Economist
(Foto: Lula Marques/ Agência PT)

A revista britânica The Economist publica editorial na edição que chega às bancas neste fim de semana em que afirma que eventual saída de Dilma Rousseff do cargo de presidente da República poderia ser algo a ser "celebrado" se vier por decisão da Justiça ou das urnas e não através de "cínicas conspirações políticas". A revista alerta que o aumento da hostilidade entre os grupos políticos pode "danificar a admirável democracia" brasileira.

No editorial "Interrogando Lula", a Economist relembra os recentes acontecimentos políticos no Brasil em especial os ocorridos após a operação Lava Jato ter ouvido o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O texto ressalta que cresce a hostilidade entre diferentes grupos políticos após o episódio envolvendo o ex-presidente.

"Brasileiros raramente resolvem as diferenças políticas por meio da violência, mas a ferocidade de ambos os lados gera risco de danificar o consenso que sustenta a admirável democracia do País", diz a revista. O texto diz que o PT e os aliados do governo lideram as ofensas, mas também há problemas no outro lado da disputa política e o editorial questiona se o juiz Sérgio Moro não foi "longe demais" com a condução coercitiva de Lula.

A publicação nota que as investigações em curso na Justiça podem derrubar o governo Dilma Rousseff. Mas a revista lembra que a decisão deveria ser apenas jurídica. "Ambos os lados estão a perigo de esquecer que a Justiça é, ou deveria ser, cega", diz, ao se referir aos protestos contra e a favor do governo marcados para o fim de semana. "É a Justiça, e não a guerra política, que deve terminar o destino do governo do Brasil".

"Um novo governo teria uma chance melhor de levar o Brasil para fora do atoleiro. Diante da escolha entre sanear a economia e sobreviver politicamente, a senhora Rousseff tem escolhido a última opção. Ela tem atrasado as reformas fiscais que podem restaurar a confiança na economia que sofre a pior recessão desde 1930", diz o editorial. "Sua saída poderia, certamente, ser motivo de celebração - mas apenas se vier através da Corte ou das urnas, não por cínicas conspirações políticas."