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'Será que eu vou ter de ser assassinado?', perguntou agricultor

Josias Paulino de Castro, de 54 anos, morreu após desafiar o crime organizado em Mato Grosso. O líder dos pequenos agricultores da Gleba Guariba, em Colniza, e a mulher, Ireni da Silva Castro, de 35, foram executados a tiros de pistola 9 mm, de uso restrito da polícia, em 16 de agosto de 2014. Cinco dias antes, ele havia denunciado, em reunião organizada em Cuiabá pelo ouvidor agrário nacional, Gercino José da Silva, exploração ilegal de madeira, pistolagem e venda de terra a autoridades.

Aos gritos, o então presidente do Instituto de Terras do Estado (Intermat), Afonso Adalberto, quis impedir Josias de falar. O pequeno agricultor não se intimidou. "O que tenho para dizer aqui não vou dizer com dois ou três minutos. Há muito tempo venho sofrendo. Somos escravos do Estado. Estamos morrendo, somos ameaçados, o governo de Mato Grosso é conivente, a PM de Guariba protege eles, o governo federal é omisso. Será que vou ter de ser assassinado para que tomem providência?"

"O assunto está encerrado para a Intermat", afirmou Adalberto, pouco depois. Em fevereiro, ele foi preso por comprar, por R$ 7 milhões, um terreno que já era público entre Nobre e Rosário Oeste.

Adalberto virou chefe do Intermat no governo Blairo Maggi (PMDB), que comandou o Estado de 2003 a 2010 e hoje é ministro da Agricultura. Para o Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso, a fraude foi organizada pelo então governador Silval Barbosa (PMDB), sucessor de Maggi. Barbosa está preso, acusado de envolvimento em outro crime, contra o sistema financeiro.

A morte de Josias estremeceu relações entre ativistas e o ouvidor agrário. Com a missão de ouvir todos os lados do conflito no campo, Gercino é criticado por pôr frente a frente agricultores ameaçados e representantes do crime. Ao Estado, ele admitiu que, em ao menos cinco ocasiões, pessoas foram mortas após encontros. Sobre Josias, diz que fez discurso muito duro, acusando diretamente as polícias e dando nomes. "Infelizmente, ele morreu alguns dias depois." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.