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Sócio da Engevix diz à PF que Gim Argello exigiu R$ 5 milhões

Um dos sócios da empreiteira Engevix, o empresário José Antunes Sobrinho, afirmou à Polícia Federal que o ex-senador Gim Argello (PTB), exigiu R$ 5 milhões para não convocá-lo a prestar depoimento da CPMI da Petrobras em 2014. Antunes Sobrinho é o segundo empreiteiro a acusar Argello.

Antunes Sobrinho depôs no último dia 28 ao delegado da PF Luciano Flores de Lima, o mesmo que no dia 4 de março conduziu coercitivamente o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para depor na Operação Aletheia.

Antes do sócio da Engevix, o dono da UTC Engenharia, Ricardo Pessoa, e o senador Delcídio Amaral (ex-PT-MS), ambos em delação premiada, já haviam atribuído a Argello exigência de propina para evitar a convocação na CPI de empreiteiros investigados na Operação Lava Jato.

Gim Argello foi preso na Operação Vitória de Pirro, 28ª fase da Lava Jato, em 12 de abril. O ex-senador é suspeito de ter recebido propina de R$ 5 milhões da UTC e de R$ 350 mil da OAS. Os pagamentos teriam sido feitos para livrar as empresas da CPMI da Petrobras no Congresso - R$ 5 milhões foram repassados para quatro partidos da Coligação União e Força e R$ 350 mil foram parar em conta da paróquia São Pedro, de Taguatinga, frequentada pelo político.

José Antunes Sobrinho contou que, no início do mês de julho de 2014, esteve em Brasília para conversar com o então senador Gim Argello, vice-presidente da Comissão na época.

Segundo o empresário, em junho anterior, ele havia sido contatado pelo lobista Julio Camargo, por telefone, dizendo que "deveria ir a Brasília 'tomar um Gim Tônica'", referindo-se também a Gim Argello.

Segundo Antunes Sobrinho, o lobista lhe disse que estava sendo "muito pressionado por Gim Argello para que contatasse os demais empreiteiros a fim de que conversassem com ele, Gim, e tratassem para que não fossem chamados na CPI da Petrobras".

À PF, Antunes Sobrinho citou o empresário Paulo Roxo e o ex-assessor parlamentar Valério Neves Campos, supostos operadores de propina de Gim Argello.

O sócio da Engevix disse que a reunião ocorreu no final da tarde na casa de Gim Argello, no Lago Sul de Brasília, onde estavam presentes dois assessores dele, "que parecem ser os mesmos que foram presos recentemente na carceragem desta Superintendência, onde o declarante se encontra, os quais se chamam Paulo Roxo e Valério".

O encontro para discutir a propina teria durado 40 minutos. "O tom utilizado por Gim Argello foi como se fosse um grande favor que estava oferecendo ao declarante e que, se o declarante não quisesse participar do grupo de empreiteiros que deixaria de ser chamado na CPI, não teria problema, pois teria outros empreiteiros para colocar no lugar do declarante, mencionando que estariam oferecendo a mesma oportunidade para as empreiteiras OAS, Andrade Gutierrez, Galvão Engenharia, Camargo Corrêa, Toyo Setal e UTC, dentre os nomes que se lembra neste momento", afirmou o empresário.

À Polícia Federal, Antunes Sobrinho relatou que "não aceitou tal proposta naquela oportunidade e disse a eles que iria conversar com Gerson Almada", um de seus sócios na Engevix. O empresário afirmou que depois da reunião, Paulo Roxo "deve ter ligado umas 10 vezes" para ele, "solicitando saber qual era a posição da empresa sobre aquela solicitação feita por Gim Argello".

"O declarante foi descartando tal possibilidade aos poucos e, definitivamente, não aceitou pagar tal solicitação; que sobre as outras empreiteiras citadas, o declarante tem certeza que OAS, UTC e Toyo receberam as mesmas propostas de Gim Argello, sendo que tem certeza sobre a UTC porque Julio Camargo comentou que Ricardo Pessoa teria recebido os mesmos pedidos de Gim."

"Gim Argello, naquela reunião, pediu que o declarante pagasse, em nome da Engevix, o valor de R$ 5 milhões para que o declarante ou qualquer outro da Engevix não fosse chamado a prestar declarações na CPI ou CPMI da Petrobras", afirmou José Antunes Sobrinho.

Em um trecho de seu relato, o empresário derruba a versão de que o dinheiro exigido pelo ex-senador seria destinado ao financiamento de campanhas eleitorais. "Que Gim Argello e Paulo Roxo nunca disseram que tais pagamentos seriam feitos por meio de doações eleitorais, sendo que em nenhuma das ligações que recebeu de Paulo Roxo foi tratado, por ele, que estava ligando sobre eventuais doações eleitorais, e sim sobre o pedido feito por Gim Argello; que Gim Argello nunca falou que o dinheiro que ele estava fazendo seria para campanha eleitoral ou para um ou outro partido, deixando claro que tal pagamento seria simplesmente em troca de não serem chamados na CPI da Petrobras."