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Trump desafia comando Republicano e diz ter apoio das bases do partido

Donald Trump assumiu um tom desafiador neste domingo e atacou lideranças republicanas que pediram no sábado que ele abandone a corrida pela Casa Branca. Pelo menos 30 ocupantes de cargos eletivos do partido anunciaram que não votarão no candidato de sua legenda, em reação à divulgação de um vídeo no qual o bilionário faz comentários degradantes em relação a mulheres e descreve ações comparáveis a violações sexuais.

No Twitter, Trump disse que estava recendo "tremendo apoio", mas não da "liderança" do partido. "Tantos hipócritas presunçosos", disse o candidato sobre os parlamentares que desembarcaram de sua candidatura, muitos dos quais buscam a reeleição em novembro. "Olhem seu números nas pesquisas - e eleições - caírem!"

A reação à divulgação do vídeo de 2005 evidenciou mais uma vez a cisão entre a elite e a base do Partido Republicano que emergiu durante as primárias, nas quais Trump derrotou 16 aspirantes à Casa Branca, entre os quais o preferido do establishment da legenda, Jeb Bush.

Enquanto deputados, senadores e alguns governadores declaravam que não votarão no candidato, sua base dava sinais de que continuará a seu lado. Pesquisa realizada pelo Politico no sábado, um dia depois da revelação do vídeo, mostrou que 74% dos eleitores republicanos querem que o comando da legenda apoie Trump.

Na conversa de 2005, o bilionário diz que sua fama dá a ele poder para fazer o que quiser com as mulheres, inclusive "agarrá-las pela vagina". O candidato também narra suas investidas sobre uma mulher casada e os avanços sexuais contra mulheres sem claro consentimento.

A divisão entre a base e a liderança partidária ficou evidente no sábado, quando o presidente da Câmara dos Deputados, Paul Ryan, apareceu no que seria seu primeiro evento de campanha ao lado de Trump. A participação do bilionário foi cancelada e Ryan disse que estava "enojado" com o conteúdo do vídeo. Mas alguns na audiência se mostraram frustrados: "Queremos Trump", gritaram.

A expectativa é a de que o conteúdo do vídeo seja discutido no debate presidencial previsto para esta noite, o segundo entre Trump e a democrata Hillary Clinton. Nas horas que antecederam o embate, o bilionário deu indícios de que pretendia usar o comportamento sexual do ex-presidente Bill Clinton para atacar sua adversária. Mas a estratégia é arriscada. Pesquisa realizada pelo Politico há uma semana revelou que 56% dos entrevistados consideravam a atitude inapropriada.

Ontem, Trump retuitou dois posts de Juanita Broaddrick, uma mulher que alegou em 1999 ter sido estuprada por Clinton 20 anos antes. "Hillary Clinton diz que as afirmações de Trump são 'terríveis', mas ela vive com e protege um 'estuprador'. As ações dela são terríveis", escreveu Broaddrick.

Na madrugada de sábado, quando se desculpou pelas declarações de 2005, o bilionário já havia usado Clinton para atacar a candidata democrata. "Eu disse coisas estúpidas, mas há uma grande diferença entre palavras e ações de outras pessoas. Bill Clinton de fato abusou de mulheres e Hillary ameaçou, atacou, envergonhou e intimidou suas vítimas."

O ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, foi o único conselheiro próximo de Trump a defendê-lo nos tradicionais programas de entrevista das manhãs de domingo das redes de TV americanas. Giuliani reconheceu que o comportamento descrito por Trump no vídeo equivale a uma violação sexual, mas disse que o candidato havia demonstrado arrependimento. (Cláudia Trevisan, correspondente)

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