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Vereadora Julieta denuncia Pastor Valdemir que teria ‘votado’ por ela

O impasse envolvendo o voto de vereadora Julieta Reis, do DEM, no projeto que previa o abono das faltas dos servidores públicos municipais por conta da greve, movimentou a Câmara de Vereadores de Curitiba nesta manhã (5). Julieta usou a tribuna para destacar que “não estava presente e que não votou”, e que agora, encaminha todo o caso à corregedoria e a comissão de ética da Casa, para que avaliem e se posicionem de acordo com o código de ética e a lei orgânica vigentes. “Fato é que eu não estava na Câmara, mas meu voto apareceu no telão e foi computado”, disse.

Imagens internas da Câmara de Vereadores apontam, que o voto, possivelmente tenha sido efetuado pelo vereador Pastor Valdemir Soares, do PRB, vizinho de bancada de Julieta Reis. Nas imagens é possível ver o vereador “esbarrando” a mão no equipamento de voto que pertence a mesa de Julieta.

Em entrevista a vereadora explicou que “como aquele foi um dia bastante tumultuado, e tinha compromisso para o almoço em um bairro mais afastado, acabou se atrasando. “Tinha compromisso no Bairro Campo do Santana e me atrasei cerca de meia hora para voltar. Quando cheguei, o projeto de abono das faltas já tinha sido votado, e meu voto estava lá”, relata. “Mas, não fui em quem votou, e até meu posicionamento seria contrário, não é nada contra os servidores, apenas porque acredito que quem tem poder de abonar ou não faltas, é o Prefeito, e não nós vereadores”.

A vereadora destacou que já fez um requerimento que foi protocolado ontem (4), solicitando que o voto seja desconsiderado. Além disso, hoje, a vereadora enfatiza que irá efetuar formalmente a denúncia contra o colega, para que toda a situação seja esclarecida.

 “Como vereadora, representante da população, não posso ser conivente com uma irregularidade deste porte”.

Ela aproveitou seu pronunciamento, para explicar que o código de ética e o decoro parlamentar da casa, devem ser cumpridos em sua totalidade. “Eu vou fazer a denúncia conforme o regimento prevê que diz que o exercício do mandato parlamentar exige conduta digna e compatível com os preceitos desse código, com o regimento interno da Câmara, da constituição, da lei orgânica e demais princípios da moral social, individual, sujeitando-se aos procedimentos e medidas disciplinares previstos”, disse.

 “No inciso 9º do Código de Ética está previsto que fraudar por qualquer meio ou forma o regular andamento dos trabalhados legislativos, com objetivo de alterar resultados de votações, é incompatível com o decoro e punível com a perda do mandato”.

Julieta mais uma vez destacou que “não tem intenção de acusar ninguém, mas que quer que tudo seja esclarecido. “Se foi má-fé da parte dele, não sei, não posso falar por ele”.

O vereador Pastor Valdemir Soares não compareceu à Câmara de Vereadores nesta manhã. A princípio, ele nega que tenha votado pela colega.

(Foto: Luiz Mandelli/Rede Massa)

Após o protocolo com a denúncia, a Mesa Executiva tem cinco dias para se posicionar quanto ao recebimento ou não da denúncia. Na corregedoria, o prazo para conclusão é de 30 dias e no Conselho de ética, de 60 dias. A punição prevista para o caso, é a perda do mandato.

O presidente da Casa, Ailton Araújo, disse que a partir da denúncia dará sequência as investigações já que a imagem da Câmara pode ser arranhada com esse caso. Sobre a alegação do vereador Pastor Valdemir, de que o equipamento teria apresentado problemas, o presidente da Câmara simplesmente comentou que 'nunca houve problema'. "Me engana que eu gosto. Isso pode ser contestado, mas nunca ocorreu nenhum problema".

A vereadora Julieta protocolou a denúncia às 10h35.