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O segundo melhor momento de preços para os produtores brasileiros

(Foto: Divulgação) - O segundo melhor momento de preços para os produtores brasileiros
(Foto: Divulgação)

O balanço de oferta e demanda mundial da soja e do milho, safra 2017/18, publicado pelo USDA em abril, mostrou produção e estoque final menor do que no ciclo anterior para as duas commodities, em função da quebra da safra sul americana e da menor produção de milho nos Estados Unidos da América. Os números divulgados mantiveram as cotações futuras da soja oscilando entre U$ 10,70 a 9,50/bushel e do milho entre U$ 3,70 a 4,25/bushel. As cotações da soja com valores decrescentes para os meses mais distantes e as cotações do milho com preços crescentes. A explicação está na previsão de plantio da safra 2018/19 nos EUA, o maior produtor mundial dos dois produtos, que indica pela primeira vez na história maior área plantada de soja do que a do milho.

O levantamento de safra da CONAB, também referente ao mês de abril, indicou aumento da produção brasileira da leguminosa e do cereal, comparativamente ao levantamento de março, devido as boas condições do clima na maioria regiões produtoras, apesar da vigência do la niña. Na soja, a produção de 115 milhões de toneladas é maior do que o recorde da safra anterior. No milho, a redução da produção em relação a safra anterior fica agora em 9,2 milhões de toneladas. No entanto, o retardamento do plantio da segunda safra de milho, além do menor uso de tecnologia, aumenta o risco sobre a produção do cereal, o que pode alterar a estimativa de produção nos próximos levantamentos.

Aumentaram também as previsões de exportação da soja e do milho pelo Brasil, neste ano comercial de 2018, como resultado das desavenças entre os Estados Unidos e a China. Este problema elevou significativamente os prêmios pagos nas transações da soja e do milho no disponível, no Porto de Paranaguá. Da soja para até U$ 1,90/bushel.

As incertezas políticas em relação às próximas eleições no Brasil, a paralisia do congresso na discussão e aprovação das reformas necessárias e a continuidade do elevado déficit público na política fiscal provocaram elevação da taxa de câmbio para mais de R$ 3,40 por dólar.

A combinação das três variáveis, cotações internacionais, prêmios e taxas de câmbio elevadas resultaram em preços da soja no porto de Paranaguá de até R$ 89,50 a saca e do milho de até R$ 39,0 a saca.

Favorecem ainda as cotações dos dois produtos as previsões de aumento do PIB e do comércio mundial neste ano, que amplia as exportações, e do crescimento econômico e  redução do desemprego no Brasil, que aumentam o consumo interno.

O quadro descrito revela que os produtores brasileiros viveram, nesta primeira quinzena de abrail, o segundo melhor momento de preços desde a crise mundial e brasileira de 2009. E a melhor estratégia de comercialização continua e venda parcelada da produção. Da soja, mais da metade da produção brasileira e menos de 50% no Paraná, já foram comercializadas, mas poderia ter sido mais. Em relação ao milho, devido aos preços internos compensadores, a produção da primeira safra está abastecendo prioritariamente o mercado interno durante o primeiro semestre. Sobre a produção da segunda safra, o melhor seria deixar as decisões de comercialização para o período de colheita da cultura.   

Em 16 de abril de 2018.

Eugenio Stefanelo.