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Só quebra da safra aumentaria os preços da soja, milho e trigo

O balanço de oferta e demanda mundial da soja, milho e trigo para a safra 2017/18, publicado pelo USDA nesta semana, não indica alterações significativas nas cotações internacionais destas commodities, que estão variando entre U$ 9,2 a 9,8 o bushel da soja, entre U$ 3,2 a 3,8 o bushel do milho e entre U$ 4,2 a 5,0 o bushel de trigo, valores praticamente equivalentes àqueles praticados na comercialização da safra 2016/17 de soja e milho e maior no caso do trigo.

O balanço de oferta e demanda brasileiro destes produtos, para a safra 2016/17 e em processo de comercialização, publicado pela CONAB, também não revela a possibilidade de elevações dos preços internos, em curto prazo. 

Outra variável que poderia aumentar as cotações é o aumento da taxa de câmbio. Nos últimos dias esta taxa vem caindo e tem oscilado entre R$ 3,08 a R$ 3,25, contribuindo para a redução dos preços internos recebidos pelos produtores e facilitado as importações de trigo.

Para a safra brasileira 2017/18 de soja e milho, os números apontam redução na área plantada da primeira safra de milho, no Brasil entre 25% a 30% e no Paraná entre 30% a 35%. A área plantada de soja deverá aumentar em torno de 3%, no Brasil e no Paraná. Devido a transição do clima de neutro para la niña, a produtividade e a produção das duas commodities serão menores do que os recordes obtidos em 2016/17. A combinação deste cenário, o retardamento no plantio do milho e da soja devido a seca (plantados apenas 10% do milho e nada da soja no Paraná), o possível e consequente retardamento do plantio da segunda safra de milho e o bom desempenho da exportação deste cereal nos dois últimos meses tem provocado o aumento do preço médio recebido pelo produtor paranaense de milho em torno de R$ 1,5 a saca, de R$ 17,50 para R$ 19,00 a saca, mostrando que a queda continuada da cotação deste cereal foi estancada.   O mesmo ocorreu com a soja, onde o preço recebido tem oscilado em torno de R$ 58,0 a saca.

Quanto ao trigo, os preços recebidos pelos produtores continuam abaixo do preço mínimo de garantia, apesar da redução da produção brasileira e paranaense em 2017 devido a seca e em pequena escala a geada ocorrida em julho. E esta situação tende a persistir, porque a baixa taxa de câmbio e a oferta abundante do produto no mercado internacional favorecem a importação do cereal.

O cenário traçado mostra que os produtores brasileiros terão que se conformar com margens mais estreitas de ganho na soja, muito estreitas ou ausência de lucro no milho e trigo e somente uma significativa redução da produção global poderia provocar a recuperação dos preços dos três produtos.