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Pachequinho deveria quebrar um paradigma

O mestre Tostão nos ensina que um dos grandes problemas do futebol brasileiro a partir dos anos 90 foi a divisão de funções no meio de campo. Volante marca e meia arma. O conceito torto produziu uma grave consequência na formação de jogadores no país. O nosso futebol não produz mais os armadores com capacidade de construir o jogo de uma área a outra. Temos estabelecida uma cultura do especialista, por isso você já deve ter ouvido por aí frases como “não dá para jogar sem um marcador”, ou, “o time não cria por que falta um camisa 10”. Ideias que não combinam com a atualização do futebol, mas que estão presentes em vários times que assistimos a cada rodada.

Edinho tem sido titular absoluto com Pachequinho (Imagem: divulgação Coritiba Edinho tem sido titular absoluto com Pachequinho (Imagem: divulgação Coritiba 

É o caso do Coritiba atual. Provavelmente nove entre 10 torcedores não concordam com a escalação de Edinho. Eu discordo mais da ideia do que perosonagem. Pachequinho completou 10 jogos nesta terceira passagem interina dele no comando do Coxa e já deixou claro que não abre mão de Edinho e do que ele representa. O contestado volante é o típico caso daquele especialista que falamos no começo, sem as qualidades necessárias para participar de todas as fases do jogo (defensiva, ofensiva e Transições). Não existem grandes diferenças técnicas entre Jonas, Edinho ou Fabricio. O decepcionante empate com o Cianorte tem relação sim com a escolha de jogador com essa característica. O jogo passou demais pelo camisa 6. Em futebol com cada vez menos espaço é o volante o responsável pela construção e pela definição dos rumos dos ataques.

Cianorte x Coritiba 

O Coritiba fracassou no teste da sua evolução contra o Cianorte. O meio de campo que foi o setor que mais evoluiu nos 9 a 0 contra o Cascavel não funcionou na derrota para o organizado time do interior. Anderson fez o seu pior jogo desde a chegada ao clube, o movimento de Tiago Real saindo da ponta indo para meio para dar superioridade numérica no setor não fez diferença e Alan Santos não foi o volante infiltrador que costuma pisar na área. O desempenho coletivo foi ruim, mas a ideia de escalar o volante “caça craque” – como os jogadores costumam dizer – preocupa. Os bons jogadores que atuam como “5” tem bom passe vertical e dão fluência ao jogo. Nas entrevistas pós-derrota para o Cianorte, o elenco do Coritiba identificou como problema a ausência de passes entre as linhas do adversário, é disso que estamos falando. O volante tem obrigação de ser um construtor. E a marcação? Um time organizado se defende bem pela ocupação correta dos espaços e não pela quantidade de marcadores/especialistas.

Cianorte x Coritiba

Pachequinho é um treinador em início de carreira e deveria fugir do lugar comum. Claro que não é fácil, ainda mais quando a avaliação está condicionada apenas ao resultado. Dificilmente ele será efetivado se não for campeão estadual, como se a taça fosse o único caminho para medir o sucesso de um trabalho. Alan Santos poderia ser “reeducado” para fazer a função que hoje Pachequinho entrega aos especialistas. Quebrar um paradigma sempre é um bom começo.