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Desejo mais "Rodrigos Caios" em sua vida

Um motociclista ultrapassa pela direita e para se justificar, diz que tinha espaço. O motorista passa o sinal vermelho e diz que a rua era deserta. O cliente fica com o troco de “vintão”, porque era pouco e o caixa é quem tinha que “se ligar”. E este mesmo cidadão vê um jogo de futebol e reclama do zagueiro Rodrigo Caio, que avisou ao árbitro sobre o seu erro em dar o cartão a Jô, do time adversário. Estamos invertendo os valores em todas as oportunidades de cometer um ato que aos olhos de quem vê de fora, vem a velha frase: “Tudo bem... não vai dar nada”.

Rodrigo Caio fez o que deve ter aprendido em sua família, em casa e ainda na infância. Moral, caráter, ser justo e leal ao que a boa conduta recomenda.  Mas estamos em um mundo onde o “correto” é dizer o que Maicon falou na coletiva: “Prefiro que chore a mãe dele do que a minha”. É normal o cidadão dizer que levar vantagem é normal e que ser honesto é ser trouxa. Eu não penso assim e fico bem feliz em ver o Rodrigo Caio do São Paulo enfrentando a opinião contrária de seus companheiros e torcida com uma naturalidade de quem faz a coisa certa todos os dias e na pressão de um jogo decisivo não seria diferente.

Se eu tivesse a oportunidade de falar pessoalmente com Rodrigo Caio, iria apertar a mão dele, parabenizar o zagueiro pela atitude e tentar incentivar mais gente a seguir o seu exemplo. Foi um ato tão simples e tão natural em um ambiente tão corrompido de imagens negativas ao longo da história, que a honestidade vira algo incrível.

Um ato normal de clareza e caráter se transforma em polêmica. A dimensão que tomou uma atitude simples e honesta de um ser humano bem orientado pela família se transformou no assunto da semana e acaba colocando em pauta o quanto errado está o nosso futebol, o nosso dia a dia, daquele mundo pequeno que briga com ranços do “jeitinho brasileiro”. Rezo e torço por mais Rodrigos Caios em sua vida, porque de Maicons eu estou já de saco cheio.