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Sem medo da punição

Esta briga do domingo em que torcedores corintianos invadem a loja da Torcida Organizada Império Alviverde e depois levam a coça, o troco, o revide, para mostrar quem é que manda no pedaço, não dá razão nem a quem começa e muito menos a quem revida. A vítima neste caso é quem vive do esporte: jogadores, comissão técnica, funcionários de clubes, donos de comércio dentro e no entorno dos estádios e todas as pessoas que vivem do espetáculo, que se sentem envergonhados com as atitudes da era medieval, de conquista de território através da guerra.

Para não dar discurso moralista e pedir uma resolução definitiva para as autoridades, vou somente dar um exemplo simples e fácil de entender:

Sou um dos seis filhos da família do Seu Mueller. Quando nós brigávamos por qualquer coisa e meu pai nos pegava no meio da briga, ele pegava os dois brigões, geralmente pelas orelhas e levava para um quarto. Quando um dos dois brigões queria dizer que foi o outro quem começou, a coça na bunda era imediata. Ele deixava a gente de castigo ali e dizia: - Quando eu voltar no fim da tarde, quero ver vocês dois aqui, este quarto arrumado e sem brigas. Depois conversamos.

Ele passava a tarde trabalhando e nós passávamos a tarde dentro do quarto, sem tevê, sem brinquedo, somente arrumando o quarto, fazendo as tarefas da escola e os dois ali, juntos. naquele “climão”, um olhando torto para o outro. Depois, um começava a discussão para ver quem tinha razão. Chegava ao fim da tarde, várias vezes meu pai chegava e encontrava os dois brincando com a coberta, rindo e nem lembrávamos mais o motivo do castigo. Meu pai então colocava um de frente para o outro e dizia para qualquer um pedir desculpas. Quando um falava: - Mas, pai. Ele que começou! Ele dava outra coça na bunda e dizia: - Pede desculpas! Quando outro achava que ia se safando, meu pai dizia: - Você também pede desculpas ao seu irmão. E todas as vezes que vocês brigarem, vão perder a tarde aqui no quarto de castigo e se continuar, o castigo vai ser ainda maior (isto acompanhava um discurso de 15 minutos sobre educação, exemplos positivos e negativos). Resultado: Nenhum dos seus filhos fuma, bebe demais, todos são trabalhadores, educados, tem suas famílias, nunca brigaram na rua e eu tenho orgulho dos meus irmãos e muita, mas muita saudade do meu pai.

Um experiente Coronel da PM me disse uma vez que um cara que faz isto nas ruas, primeiro começa desafiando sua casa, depois a escola e em seguida desafia a lei. Talvez esses brigões das torcidas não tiveram o privilégio que tive de pais rígidos, que ao menor sinal de saída da linha, castigava, dava suas coças, discursava incansavelmente até que a gente aprendesse a diferença entre o certo e o errado. 

Então as leis precisam ser rígidas, para que eles não voltem a fazer o que historicamente vem fazendo. Leis definitivas, para que os problemas desta violência sejam resolvidos, que os errados paguem e que os que queiram fazer isso de novo tenham medo da punição. Enquanto eles não tiveram medo da punição, isto vai continuar! Simples assim. Usando uma frase de um escritor da Roma antiga, Publius Siro: “Quem perdoa uma culpa encoraja a cometer muitas outras”.