Você poderá alterar sua localização a qualquer momento clicando aqui.
Ocultar   |   Alterar cidade
Você está vendo conteúdo de Curitiba e região.
Ocultar   |   Alterar cidade

Tarde demais, Narizinho!

Informa a coluna "Radar on-line", da Veja:

Pouco antes de assumir a presidência do PT, Gleisi Hoffmann confidenciou a colegas que estava arrependida de ter aceitado a empreitada.

Ela descobriu que não terá a autonomia que imaginava. A executiva é quem dá as cartas ali.

Moral da história 1: então ela pensava que agiria como nos regimes comunistas, em que o secretário-geral do Politburo, em nome do "centralismo democrático", dá as ordens e todos dizem "amém!", sob pena, em caso de desacato, de irem para os Gulags ou o paredón?

Moral da história 2: Quem mandou meter o Narizinho onde não devia? Agora é tarde demais, baby!

Moral da história 3: Se ainda não ocorreu, Lula e o o PT vão se arrepender - e logo e profundamente - de tê-la feito "presidenta" do partido...


"Veja" mente sobre a Abin. E não pede desculpas

A revista Veja ilustrou a capa da edição da semana passada com uma fotomontagem do presidente Michel Temer em trajes do Exército. Título: “Agora é guerra”. Tema central: a ofensiva do presidente contra seus acusadores Janot e Fachin e a mobilização da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para levantar informações embaraçosas sobre este último.

Foi o maior forfait: a presidente do STF, Cármen Lúcia, divulgou uma nota duríssima e a oposição – Randolfe Rodrigues, o duende, à frente – soltou a franga, ameaçando abrir uma CPI.

Critiquei duramente a revista pelo procedimento, já que se baseou apenas numa fonte – “um auxiliar do presidente” – para divulgar informação de tamanha gravidade. “Furo” (informação exclusiva) ou “barriga” (informação furada), perguntei?

Passa domingo, passa segunda-feira, passa terça... e Veja não dá sequência ao assunto em seu portal, atropelada pelos desmentidos e pelo recuo tanto da presidente do STF como da oposição.

E, chega, finalmente, a hora da onça beber água: a edição desta semana, da qual se esperava, com base na tradição jornalística da Veja, não apenas a confirmação da notícia, mas seu aprofundamento. E o que ela faz? Mostra as reações à "notícia", dá o fato como consumado, já não atribui mais ao presidente e sim a "assessores do presidente" a suposta mobilização da agência de espionagem e aponta a grade descoberta da Abin: que Fachin teria (teria!) jantado, por intermediação de um executivo da JBS, com o senador Renan Calheiros quando disputava a vaga no STF. E que a JBS teria (teria!) cedido avião para uma de suas viagens.

Ou seja, além de violentar o bom jornalismo e insultar a inteligência do leitor, Veja agride a Abin, pois essa informação é pública e notória: bastava acessar o Google e, vapt-vupt, lá estava a dita cuja!

Confirma-se, assim, a “barriga” e lamenta-se a falta de ética da revista, que deve desculpas ao leitor, à sociedade, ao presidente da República e à Abin.

Veja errou, e errou tão feio quanto no caso do “Boimate”, ocorrido em 1983: a notícia de que um laboratório havia desenvolvido um hambúrguer à base de carne de boi enxertada com tomate que dispensaria o uso do catchup para ser desgustada. Naquela ocasião, a revista reproduziu, como autêntica, informação da New Scientist, que tradicionalmente publica uma matéria fake para comemorar o 1º de abril. Veja não entendeu que era piada. E agora, com a "Abinmate", não entende a seriedade do seu erro.