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Venezuelanos enfrentam o tirano e participam em massa de plebiscito opositor

Eles não se intimidaram com as ameaças dos paramilitares (colectivos) a serviço de Nicolás Maduro de repetir o que fazem sempre que ousam protestar contra o ditador: truculência e morte.

E até os enfrentaram, impedindo que esses marginais financiados pelo regime surrupiassem as mesas eleitorais.

E assim, os venezuelanos enfrentam o regime, participando massivamente hoje do plebiscito informal convocado pela oposição, reunida no Movimento de Unidade Democrática, para se contrapor à eleição de uma “Constituinte popular” decidida por Maduro à revelia da Constituição – que atribui esse direito exclusivamente à Assembleia Nacional. A “eleição” está prevista para o dia 30 (as aspas são necessárias, já que somente poderão participar quem for aliado do regime...)

Assembleia Nacional: eis o obstáculo para Maduro submeter os venezuelanos a uma ditadura plena. Se antes, o Congresso lhe era servil – como todos os demais órgãos representativos, o Judiciário e o Ministério Público -, agora é majoritariamente hostil. E por isso, Maduro, representante de um regime que, segundo Lula, peca pelo “excesso de democracia”, quer calar de vez a oposição com a tal “Constituinte popular”, que usurpará seus poderes.

O plebiscito de hoje é informal, naturalmente, pois seu resultado não terá valor legal, mas simbólico: se o comparecimento ultrapassar os 50% dos eleitores (que são 18 milhões),  será um importante instrumento de pressão sobre o ditador (assim qualificado pela Conferência dos Bispos Venezuelanos).

Três perguntas são feitas aos eleitores: se apoiam a “Constituinte popular”, se defendem a submissão do Exército e dos servidores públicos à Constituição, que prevê o livre funcionamento da Assembleia Legislativa, e se querem a convocação de eleições gerais.

Observadores internacionais, entre eles vários ex-presidente latino-americanos, estão na Venezuela para acompanhar o plebiscito. Pediram para se reunir com Maduro – até agora não obtiveram resposta. Que fiquem sem ela, pois a única resposta que, desde sua posse, há quatro anos, Maduro tem dado aos que exigem liberdade de expressão, democracia, eleições livres e comida (1) – e esses são milhões - é a repressão. Há centenas de presos políticos (a tortura é recorrente, segundo organismos internacionais de defesa dos direitos humanos) e 140 pessoas foram mortas nas manifestações de rua desde a posse do ditador.