Dorival ‘normal’

Por Mauro Mueller

Foto: Marcelo Cortes/Flamengo

Eu tenho a impressão que quando o técnico Dorival Jr foi contratado para assumir o comando do Flamengo, muitos torcedores torceram o nariz, já que seria a sua terceira passagem pelo clube carioca e, nas duas outras, o paulista de Araraquara não tinha deixado impressões além do normal.

Olhando no retrovisor, os treinadores que passaram pelo clube – Jorge Jesus, Domenec Torrent, Rogério Ceni, Renato Gaúcho e Paulo Sousa – você viu nomes badalados ou estrangeiros que chegaram com status.

O ex-volante Júnior se tornou treinador e conquistou seis campeonatos estaduais, uma Série B no Vasco em 2009 e teve seu ápice no Santos com Robinho, Neymar e Ganso em 2010, quando conquistou a Copa do Brasil e o Campeonato Paulista. E todos lembram que, após 23 meses, a corda arrebentou para Dorival na polêmica entre o comandante e Neymar, afastado por indisciplina. A diretoria preferiu demitir o técnico do que ver seu investimento perder rendimentos com o ‘menino da Vila’ fora dos gramados.

Dorival estava recuperando bem o Ceará, tirou o time da ZR e já ganhava a confiança da torcida do Vozão quando foi chamado para um Flamengo cheio de problemas extracampo. Os últimos três treinadores (Renato, Ceni e Sousa) não estavam conseguindo fazer o time engrenar.

Este Flamengo finalista da Copa do Brasil, da Libertadores e no G4 do Campeonato Brasileiro já é considerado imbatível, toma poucos gols, domina a meia cancha, tem Pedro em fase inspiradíssima, além de vários jogadores voando, como o lateral Rodinei, o meia Everton Ribeiro, o goleiro Santos (já bem adaptado ao novo clube), sem contar com a grife de reservas qualificadíssima, que tem Arturo Vidal no banco.

É fácil comandar um elenco assim, cheio de estrelas? Outros fracassaram, mas o treinador considerado uma contratação “normal” consegue fazer este time meter medo nos adversários e chegar a três competições com ótimas chances de ser campeão.

Sobre o autor

Filho de radialista, Mauro Mueller (@mauromueller) começou sua carreira no rádio, aos 14 anos e já trabalhou nas principais emissoras de Curitiba e São Paulo. É músico, compositor, poeta, cronista e contista. Também é palhaço e ator. A sua relação com o jornalismo esportivo começou em 2001, quando coordenava a Rádio Transamérica de Curitiba e implantou um projeto inovador para o rádio esportivo. Está no Show de Bola desde sua estreia, em 2010.

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