8 espetáculos inspirados em clássicos para assistir no Festival de Curitiba

Nelson Rodrigues, Clarice Lispector, Shakespeare e muito mais. Autores do primeiro escalão da literatura brasileira e mundial estarão presentes no Festival de Teatro de Curitiba, através de adaptações de suas obras ou de espetáculos baseados em clássicos da ficção. Principal dramaturgo nacional, Nelson Rodrigues aparece no Festival de Curitiba com algumas de suas obras pela oitava vez, sendo um dos autores mais recorrentes do evento. 

A estreia se deu em 1996, com o espetáculo “Doroteia – Uma Farsa Irresponsável”. Curiosamente, a última vez que Nelson constou nos créditos do Festival de Curitiba foi em 2019 através da mesma companhia que trará o texto do gênio do teatro para esta edição: o grupo Os Fodidos Privilegiados, de São Paulo.

Naquela edição, a última antes da suspensão no formato presencial por causa da pandemia, o festival recebeu a peça “Abujamra Presente” – e Nelson era uma das várias referências oficiais do roteiro. Dessa vez, a companhia apresenta a montagem de “O Casamento” (leia abaixo), o livro proibido do “anjo pornográfico”.

Outro expoente da literatura nacional, a escritora brasileira Clarice Lispector estará duplamente representada nesta edição, com as peças “Abjeto-Sujeito” e a “Hora da Estrela”.

João Cabral de Melo Neto é a base de “Estudo nº 1: Morte e Vida”. E ainda temos o anti-herói marginal Macunaíma, criado por Mário de Andrade, de certa forma presente em “Till, a Saga de um Herói Torto”. Embora a peça tenha roteiro original, o personagem principal Till é inspirado em Macunaíma, carregando diversos traços semelhantes.

Considerando a literatura de língua estrangeira, temos Shakespeare, em “[email protected]”, dos Parlapatões. A peça é um compilado do que há de melhor na obra daquele que é considerado o maior dramaturgo de todos os tempos.

E, por fim, a lista tem os escritores Michael Ende, cujo texto é a base de “Momo e o Senhor do Tempo”, e Thomas Bernhard, considerado um dos nomes mais importantes da literatura de língua alemã do século XX. Ele é autor da obra “O Náufrago”, transposta para o palco pela companhia LNW Produções.

Conheça as peças:

O Casamento

O casamento CHIFOS 1997 – Mancuzo Entretenimento

“O Casamento” é uma adaptação de João Fonseca, do romance homônimo da década de 1960, de Nelson Rodrigues contando a história de Dr. Sabino (João Fonseca), um rico empresário, que descobre na véspera do casamento da filha adorada, Glorinha, (Guta Stresser) que seu futuro genro é homossexual. Primeiro espetáculo da Companhia co-dirigido por João Fonseca e Antônio Abujamra em 1997. O espetáculo será apresentado pela companhia Os Fodidos Privilegiados nos dias 9 de abril, às 21, e 10 de abril, às 19h, no Teatro da Reitoria. A classificação é de 16 anos e a duração de 100 minutos.

Abjeto-Sujeito

 Denise Stoklos – FOTO: Leekyung Kim

Em “Abjeto-Sujeito”, a atriz e diretora Denise Stoklos promove o encontro do teatro essencial com a obra de Clarice Lispector. O resultado é uma investigação radical a respeito de como o corpo, a voz e a emoção da intérprete expressam uma palavra literária empenhada em dizer o que a todo momento beira o indizível. Canções de Elis Regina pontuam de tempos em tempos o percurso que vai da negação à constituição do sujeito. Apresentações nos dias 8 e 9 de abril, às 21h, no Sesc da Esquina. Classificação: 14 anos. Duração: 99′.

A Hora da Estrela

A Hora da Estrela – foto: Daniel Barboza

Musical estrelado por Laila Garin, Claudia Ventura e Claudio Gabriel, “A Hora da Estrela” ou O Canto de Macabéa é uma adaptação do clássico de Clarice Lispector. Em cena, 3 músicos ao vivo. Direção de André Paes Leme, direção musical de Marcelo Caldi e músicas originais de Chico César. Macabéa é uma imigrante nordestina cuja vida é marcada pela ausência de afeto e poesia. Sua história é contada por uma atriz, que resolve narrar sua vida em um exercício de alteridade. Apresentações no dia 9 de abril, às 21h, e 10 de abril, às 19h. Classificação: 12 anos. Duração: 100′.

[email protected]

[email protected] – Foto: Luiz Doroneto

A peça “[email protected]” promete reunir um pouco de tudo o que há nas obras daquele que é considerado o maior o maior dramaturgo de todos os tempos. Foi com este espetáculo que o grupo Parlapatões construiu sua reputação em todo o Brasil. Trata-se de uma sátira bem estruturada sobre a obra completa de William Shakespeare compilada em 99 minutos e encenada por apenas três atores que se dividem em 12 personagens cada. Na encenação, mesmo com o predomínio da popularíssima Romeu e Julieta e com grande parte de Hamlet, estão lá agrupadas de formas diversas e sob diferentes abordagens, todos os trabalhos para o palco escritos por William Shakespeare. Apresentações nos dias 31 de março e 1° de abril, às 21h. No Sesc da Esquina. Classificação: 14 anos. Duração: 99′.

Estudo nº 1: Morte e Vida

Divulgação Morte e Vida – Foto: Vitor Pessoa

“Estudo n°1: Morte e Vida” é um caldeirão com música, punk rock e a poesia de João Cabral de Melo Neto. A partir do poema dramático Morte e Vida Severina, o Grupo Magiluth propõe um estudo cênico sobre a trajetória de imigrantes que deixam o sertão nordestino e seguem o caminho do rio, em busca de melhores condições de vida e trabalho. O olhar híbrido e inquieto do coletivo pernambucano se volta, neste espetáculo, para os movimentos migratórios gerados por adversidades climáticas, políticas e sociais, buscando observá-los tanto em suas analogias quanto na heterogeneidade de seu conjunto. A peça terá encenação nos dias 3 e 4 de abril, às 21h, no Teatro Zé Maria. A classificação é livre. Duração: 70 minutos.

Till, a Saga de um Herói Torto

TILL, A SAGA DE UM HERÓI TORTO – Grupo Galpão (Belo Horizonte/MG – Brasil)

A peça não é propriamente inspirada em algum livro. Mas o personagem Till, sim. Ele possui diversos traços de Macunaíma, clássico de Mario de Andrade. “Till” é uma saga cheia de presepadas e velhacarias que começa com uma aposta. O Demônio diz a Deus que se fosse tirado do homem algumas qualidades o ser humano cairia em perdição. Deus, aceitando o desafio, resolve trazer ao mundo a alma de Till. Vivendo em uma Alemanha miserável, povoada de personagens grotescos e espertalhões, logo de início o protagonista é abandonado em meio ao frio e à fome e descobre que a única maneira de sobreviver naquele lugar é se tornar ainda mais esperto e enganador. O espetáculo será apresentado nos dias 4 e 5 de abril, no Teatro da Reitoria, às 21h. Classificação: livre. Duração: 90 minutos.

O Náufrago

O Náufrago – Foto: João Maria

Em uma prosa convulsiva e exasperada, a história de três exímios estudantes de piano, um dos quais teve sua vida aniquilada a partir do momento em que ouviu Glenn Gould, um dos outros três, tocar as Variações Goldberg, de Bach. Apresentações nos dias 6 e 7 de abril, às 21h, no Teatro da Reitoria. Classificação: 14 anos. Duração: 80′