Você poderá alterar sua localização a qualquer momento clicando aqui.
Ocultar   |   Alterar cidade
Você está vendo conteúdo de Curitiba e região.
Ocultar   |   Alterar cidade

No Festival do Rio, italiano Sebastiano Riso denuncia indústria da adoção

E o Festival do Rio termina neste fim de semana. Neste domingo, 15, serão conhecidos os vencedores da mostra competitiva Première Brasil. Na quinta, passou o último concorrente de ficção - Unicórnio, de Eduardo Nunes, baseia-se em duas histórias de Hilda Hilst. O diretor é o mesmo de Noroeste - todas as idades de uma mulher, do nascimento à morte, em um único dia e em suntuoso preto e branco. Nunes propõe agora uma fábula, e em cores deslumbrantes. Uma garota e seu pai, a mãe, um estranho. O mesmo tempo introspectivo de Noroeste, outro filme delicado de Nunes.

Sílvia Cruz, cuja empresa - a Vitrine - distribui Unicórnio, é a produtora de Invisível, longa do argentino Pablo Giorgelli, de Las Acacias. Uma garota de 17 anos, que trabalha numa pet shop, descobre estar grávida do dono. Ela tenta seguir com a rotina, mas seu mundo implode. Giorgelli filma a invisibilidade social, e como disse ao repórter tenta se manter, ele mesmo, invisível como diretor. Invisível é o mais minimalista dos filmes. Nenhum efeito, nenhuma firula. O rádio fica despejando notícias ruins - e a gente não vê nada. Os professores da protagonista falam, e a gente também não os vê. Invisível estreia em novembro. Prepare-se. É forte.

O italiano Sebastiano Riso está no Rio para acompanhar a exibição de seu longa Uma Família no Foco Itália. O filme integrou a competição de Veneza, em setembro. Era o único filme italiano de temática social no evento. A indústria da adoção - uma mulher masoquista, seu amante dominador que a engravida, um filho atrás do outro, para vender os bebês. Michaela Ramazzotti é uma atriz excepcional, Patrick Bruel representa contra sua imagem. Riso é gay assumido. Com o companheiro, tentou fazer uma adoção, que a lei não permite. Mas ele diz que não fez o filme em causa própria. Fez porque a história real mexeu com ele.

"Pertenço à primeira geração de cineastas que estão fazendo filmes após os 30 anos de ditadura de (Sílvio) Berlusconi", ele conta. A sociedade está entorpecida, alienada. "É como dar murro em ponta de faca." Desde Veneza, a direita tem feito o que pode para silenciá-lo. Riso foi vítima de uma agressão dentro de sua casa. Foi parar no hospital. Ainda respira com dificuldade, o olho treme (e a visão está turva). Mas ele não se intimida. "É preciso falar", diz.

Grupo do Massa News no WhatsApp

Receba as principais notícias do dia direto no seu celular.

  Entrar no grupo