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Eventos destacam a importância dos negros na história de Curitiba

Eventos destacam a importância dos negros na história de Curitiba

A importância do protagonismo negro e dos clubes operários de Curitiba foi destacada na visita guiada ao Cemitério Municipal neste sábado (12). A pesquisadora Clarissa Grassi mostra ao público a relevância de personalidades negras para a capital do estado.  “A visita ressalta a importância de conhecer e reconhecer essas trajetórias. O objetivo é trazer à tona a história dessas pessoas que foram essenciais para a formação de Curitiba”, afirmou Clarissa.

Entre os destaques, a visita vai percorreu o túmulo de Enedina Alves Marques, a primeira engenheira negra do Brasil; Maria Nicolas, que foi professora e escritora, com mais de 30 livros escritos. O roteiro ainda apresentou a trajetória de Vicente Moreira de Freitas. Ele foi escravo e, enquanto construía a Catedral de Curitiba, conseguiu a liberdade em 1884, após 27 anos de escravidão, através de decreto do Fundo de Emancipação.

Clube

Anos mais tarde Vicente teve também um papel social relevante. Em 1888, dez dias antes de a Lei Áurea ser sancionada, ele se juntou a outros ex-escravos e fundaram o Clube 13 de Maio. A entidade surgiu com o objetivo de prestar ajuda à comunidade negra. Esse apoio consistia em agregar ex-escravos com auxílio médico, hospitalar, financeiro, educacional, social e funeral.

“A gente consegue conhecer o ativismo negro. Não é de uma hora para a outra que eles chegaram. Eles sempre fizeram parte da cidade. A presença negra permeia toda a história de Curitiba e isso precisa ser reconhecido”, destacou Clarissa Grassi. De acordo com a pesquisadora, muitos clubes operários foram formados por negros. “O Clube 13 de Maio tem túmulos no Cemitério Municipal, espaço que teve parte dos seus muros construído por negros”, completou.

Lei Áurea

No domingo (13) completam 130 anos que a Lei Áurea foi assinada abolindo a escravidão no Brasil. Mas para a população negra, a data representa um dia de luta e resistência contra o racismo.

Para Adegmar da Silva (Candiero), assessor de promoção de igualdade racial de Curitiba e conselheiro do Conselho Pleno do Ministério da Cultura/Setorial de Cultura Afro-brasileira, a data simboliza a resistência de um povo. “A cultura negra é originária do trabalho. Temos que ressaltar que a nossa história é de luta, dor e vitória. Temos conquistas importantes e vitórias nesse processo”, afirma.

Candiero ressalta a importante contribuição da população negra curitibana em diversas áreas, e dentre tantas, destaca a construção da Igreja do Rosário, inicialmente chamada de Igreja do Rosário dos Pretos de São Benedito. “A Igreja do Rosário é a segunda igreja construída em Curitiba. Foi feita por negros e para os negros”, afirmou. Ele ainda aponta o rumo para o reconhecimento. “A arte é um caminho para valorizar a importância da cultura negra. Lutamos para manter a essência da nossa cultura viva”, definiu.

Colaboração Prefeitura de Curitiba