Maior museu de arte da América Latina, MON quintuplica o seu acervo nos últimos anos

Nos últimos anos, o acervo do Museu Oscar Niemeyer (MON) quintuplicou de tamanho e conta hoje com 14 mil obras de arte, abrigadas em um espaço superior a 35 mil metros quadrados de área construída, sendo 17 mil metros quadrados de área para exposições.

Em março deste ano, o MON incorporou a maior coleção já doada à instituição: aproximadamente 4,5 mil obras assinadas por Poty Lazzarotto (1924 – 1998). São mais de 3 mil desenhos e 366 gravuras, além de tapeçarias, entalhes, serigrafias e esculturas, entre outros. A doação, feita pelo irmão do artista, João Lazzarotto, foi recebida pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior e passou a pertencer ao Estado do Paraná.

“O incremento do acervo consolida o papel e a importância do MON no cenário nacional e internacional”, afirma a diretora-presidente Juliana Vosnika. “O museu tem conquistado doações de grandiosas coleções por suas condições técnicas, gestão e credibilidade”.

Ela lembra que nos últimos anos a instituição já havia recebido em doação aproximadamente 3 mil obras de arte asiática. Em 2021, as mesmas credenciais fizeram com que o museu recebesse a doação de uma das mais importantes e significativas coleções de arte africana contemporânea, com aproximadamente 1.700 obras, oriunda da Coleção Ivani e Jorge Yunes (CIJY), de São Paulo.

Recortes destas duas coleções estão ao alcance do público em exposições de longa duração, nas salas 5 e 4, respectivamente. São as mostras “Ásia: a terra, os homens, os deuses” e “África, Expressões Artísticas de um Continente”. Uma exposição com a obra de Poty Lazzarotto será inaugurada no final de junho, na Torre do Olho.

GRANDES EXPOSIÇÕES – Além destas, recentemente o MON promoveu várias outras importantes exposições, como “Ai Weiwei Raiz”, em 2019, e “OSGEMEOS: Segredos”, em 2021, a maior já realizada pelos artistas e que fez com que o Museu, pela primeira vez em sua história, fizesse venda exclusivamente online de ingressos, com horários agendados. No total, mais de 160 mil pessoas visitaram esta mostra no MON, inaugurada em setembro de 2021.

Outras exposições no ano passado foram: “Fernando Velloso por ele mesmo”; “Japonésia, de Naoki Ishikawa”, numa parceria institucional do MON com a Japan House São Paulo (JHSP); “Schwanke, uma Poética Labiríntica”, “A Travessia do Desastre, de François Andes”; “Mens Rea: A Cartografia do Mistério”, de Mac Adams; “Forma e Matéria”, de Claudia Moreira Salles, e “O Labirinto da Luz”, de Orlando Azevedo.

Em 2020, apesar de sete meses consecutivos de fechamento ao público, em função da pandemia, o MON inaugurou diversas exposições: “Ásia: a terra, os homens, os deuses – Segunda Edição”; “Man Ray em Paris”; “Tony Cragg – Espécies Raras”; “Gente no MON”, de Dico Kremer; “Violência Sob Delicadeza”, de Vera Martins, e “Yutaka Toyota – O Ritmo do Espaço”.

No ano de 2019, o MON registrou recorde de público presencial: 377.737 visitantes. Também naquele ano, o último antes da pandemia, outros números expressivos foram registrados, como 83.426 atendimentos realizados pelo setor Educativo do Museu, responsável por mediações, oficinas e programas específicos.

O destaque foi para o programa “Arte para Maiores”, que teve um aumento de público participante de 150%, comparando-se com 2018, e conquistou um dos mais importantes prêmios nacionais na área de educação em museus, o Prêmio Darcy Ribeiro 2019, concedido pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram).

DESCENTRALIZAÇÃO DA CULTURA – Seguindo a política cultural do Paraná, de promover e incentivar a democratização da arte e da cultura, a abrangência do MON tem alcançado outras regiões do Estado, levando o acervo para fora da instituição.

Recentemente, houve projetos de itinerâncias para vários municípios paranaenses. Como exemplo, o MON levou a exposição “Artigas, nos Pormenores um Universo” a Ponta Grossa (Campos Gerais), e “O Mundo Mágico dos Ningyos” a Irati (Centro-Sul).

O museu também fez a itinerância da exposição “Estruturas e Valores – Antonio Arney”, no Centro de Artes Iracema Trinco Ribeiro, em Guarapuava (Centro-Sul), e emprestou 15 obras para exposições no Masp (Museu de Arte de São Paulo), Instituto Tomie Ohtake, Museu Paranaense e Galeria Simões de Assis.

Em 2022, foi inaugurada uma plataforma avançada em Cascavel (Oeste), com 180 obras africanas do acervo do MON, no Teatro Municipal Sefrin Filho. É um novo recorte da exposição “África, Expressões Artísticas de um Continente”, promovida pelo Museu Oscar Niemeyer (MON), extrapolando as paredes do Museu e levando a arte para outros locais do Paraná.

MON EM CASA E PANDEMIA – Durante o período em que esteve fechado devido à pandemia, o Museu intensificou a produção de conteúdo virtual. Foram 52 oficinas artísticas e 20 mediações, disponíveis no Canal do YouTube da instituição, e 19 exposições no Google Arts and Culture, alcançando em 2020 mais de 5 milhões de pessoas pelas redes sociais da instituição.

O programa Arte para Maiores, direcionado para o público com mais de 60 anos, também ganhou uma versão virtual, que alcançou seguidores até mesmo fora do país. Atualmente, após a reabertura do Museu, o programa se mantém híbrido, com versões virtual e presencial. Desde a retomada das atividades presenciais no ano passado, o setor Educativo já atendeu mais de 12 mil pessoas, em oficinas, mediações e programas específicos.

Em 2020, o MON elaborou um projeto consistente e implementou um rígido protocolo sanitário, aprovado pela Secretaria de Estado da Saúde. Isso incluiu, por exemplo, ampla sinalização com adesivos; controle de público na entrada do Museu e em cada sala expositiva; higienização e medidas para promover o distanciamento; processo de desinfecção de todo o material externo que entra no museu, com criação de sala especial para o procedimento; capacitação da equipe interna para atendimento ao público durante a pandemia; versão online para todo o material de apoio do Museu, como folder e guia de programação; incentivo à venda de ingressos online e outros.

INCLUSÃO – O MON também está ficando cada vez mais inclusivo. Criado em 2019, o Núcleo de Acesso e Participação (NAP) é formado por uma equipe multidisciplinar com a missão de melhorar as condições de acesso dos diferentes públicos, trabalhando na construção de soluções de acessibilidade e inclusão social. Além de apoio aos programas de inclusão já existentes (MON Para Todos para pessoas cegas e surdas), o NAP tem a missão de desenvolver ações que contemplem o atendimento a pessoas com Transtornos do Espectro Autista, por meio da criação de duas importantes ferramentas: a Narrativa Social e o Mapa Sensorial, utilizados para preparar a visita desse público ao museu.

Outra ação muito importante do NAP foi a criação da Sala de Acomodação Sensorial (SAS), um espaço criado especialmente para pessoas neurodivergentes que precisam de um local reservado e com estímulos reduzidos, para se reorganizarem em uma eventual crise despertada pela visita. Também foi criada uma cartilha com normas e orientações para o atendimento a esse público, bem como passou a ser disponibilizado o cordão de girassóis, acessório reconhecido mundialmente para a identificação de pessoas com deficiências não visíveis, como o autismo.