Mais de 150 mil pessoas acompanharam o 30º Festival de Curitiba

Com teatros lotados e ocupando as ruas e espaços culturais, o 30º Festival de Curitiba encerrou neste domingo (10) com um público estimado de 150 mil pessoas em suas mais de 200 atrações e um saldo de quase 4 mil empregos diretos e indiretos gerados.

Além do fomento à economia criativa de Curitiba e de cidades da Região Metropolitana que participaram, como São José dos Pinhais, Araucária e Balsa Nova, a mostra foi um marco da retomada do setor cultural no País em 2022. O Governo do Estado apoiou o FTC por meio de Copel e Sanepar.

Para a superintendente-geral da Cultura, Luciana Casagrande Pereira, a movimentação no setor provocada por essa edição do Festival, após dois anos de pandemia, ficará marcada para sempre. “Foi muito bom ver essa explosão de energia proporcionada pelo Festival de Curitiba, que refletiu desde o fomento ao segmento da Economia Criativa até a emoção do público ao ver os artistas no palco depois de tanto tempo. Diria que o setor cultural retomou seu ritmo em grande estilo”, afirmou.

Depois de um ano suspenso por causa da pandemia, em 2020, e de uma edição online no ano passado, o Festival de Curitiba contou com a volta do público nos teatros e nas apresentações de rua.

Para o diretor do Festival, Leandro Knopfholz, este reencontro entre artistas e plateia foi a grande realização do evento. “Havia uma avidez do público em assistir de novo um espetáculo dentro do teatro e, de outro lado, a alegria dos artistas em poderem trabalhar novamente diante do público”, disse. 

A Agência do Trabalhador da Cultura – primeiro e único posto avançado para o setor no Brasil – atuou em parceria com o Festival e foi responsável por recrutar 90% das vagas temporárias geradas pelo evento.

Atualmente, o Festival de Curitiba é o maior evento de artes cênicas da América Latina. Mais de 900 artistas e 130 companhias e grupos de teatro trabalharam no 30º Festival de Curitiba que durou 13 dias, de 29 de março a 10 de abril.

A atriz curitibana Guta Stresser, que já atuou em diversas funções do evento desde a sua fundação em 1992, avalia que festival transformou a cultura da cidade. “Curitiba foi virando outra cidade ao longo destes 30 anos. O festival movimenta a Capital de uma forma profunda. São exposições, teatros lotados e gente na rua. É maravilhoso como o festival ocupa a cidade e como a cidade responde e se torna efervescente neste período”, afirmou. 

MOSTRA LÚCIA CAMARGO – Quase todas as apresentações da mostra principal, a partir deste ano chamada de Mostra Lúcia Camargo, tiveram ingressos esgotados. Duas delas: o show “AmarElo” do cantor Emicida, e o espetáculo “Abjeto – Sujeito: Clarice Lispector por Denise Stoklos” tiveram que abrir sessões extras devido a grande demanda por ingressos.

Cerca de 40 mil pessoas assistiram as peças da Mostra Lúcia Camargo, que neste ano mesclou estreias nacionais com peças que já tinham passado pelo Festival em outras edições. 

FESTIVAL DE RUA – As atrações do Risorama e do MishMash também tiveram ingressos esgotados e a estimativa da organização é de que 27 mil pessoas assistiram as peças da Mostra Festival na Rua. 

Um dos grandes destaques desta edição que celebrou as três décadas da criação do evento foi a exposição “Viva! 30 anos por Lenise Pinheiro”, que registrou 30 anos de história do Festival de Curitiba pelo olhar da fotógrafa que cobriu todas as edições desde 1992. 

A exposição com mais de 400 imagens do trabalho da artista foi montada em vários formatos e espaços culturais, distribuídas por 15 pontos diferentes de Curitiba. A maior parte do material está no vão livre do Museu Oscar Niemeyer (MON) e fica em cartaz até o dia 29 de abril.

PLATAFORMA CULTURAL – A 30ª edição do Festival de Curitiba terminou neste domingo, mas o trabalho segue com o lançamento de uma plataforma digital própria para o setor cultural: a Caco. O objetivo da ferramenta é conectar profissionais da área e ser um espaço para divulgação de trabalhos, observação das tendências do teatro e novas oportunidades.

A plataforma se inicia como uma rede para conectar pessoas do setor e, com o tempo, oferecerá novas soluções, como a realização de cursos e oferta de conteúdo específico. Em um terceiro estágio, a CACO abrangerá o público final – os espectadores – e será também um guia cultural e local para compra de ingressos, entre outras funcionalidades.

Com o tempo, a Caco terá mapeamento de salas de teatro, grupos existentes em determinado local, profissionais de cada segmento (atores, iluminadores, sonorizadores, contrarregras, por exemplo), e conectará pessoas e locais.

A partir da Caco, pretende-se criar uma teia de profissionais e espaços e estimular a economia criativa, inicialmente, do mundo do teatro. “A plataforma tem um viés econômico muito forte. Queremos que se torne uma mina de recursos de teatro e beneficie a todos os envolvidos na área. As companhias se beneficiarão da plataforma e poderão utilizá-la como uma espécie de depósito virtual do seu repertório”, disse Leandro Knopfholz.

Informações da AEN