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Quem era Karl Lagerfeld, o estilista alemão mais "francês" do mundo

(Foto: Reprodução) - Quem era Karl Lagerfeld, o estilista alemão mais "francês" do mundo
(Foto: Reprodução)

Como um dos designers mais admirados dos tempos modernos, a influência de Lagerfeld na indústria da moda não tem paralelos. Conhecido no mundo fashion como "o Kaiser", uma referência à sua herança germânica e ao nome que se dava aos imperadores alemães, ele era famoso e também intransigente com sua visão de design, como declarou uma vez: "moletons são sinal de derrota. Você perde o controle da sua vida e, então, compra moletons".

Em janeiro, ele não tinha ido a um evento de alta costura da Chanel, em Paris, alimentando especulações sobre sua saúde. De acordo com jornais, ele tinha dado entrada em um hospital na capital francesa dias antes. A causa da morte teria sido um câncer no pâncreas.

A designer italiana Donatella Versace postou uma foto dela com Lagerfeld no Instagram e escreveu: "Karl, seu gênio tocou nossas vidas de muitas formas, especialmente eu e Gianni [Versace, irmão de Donatella que morreu em 1997]. Nós nunca vamos esquecer seu talento incrível e sua inspiração sem fim. Nós sempre aprendemos muito com você".

Nascido em Hamburgo, na Alemanha, em 1933, Lagerfeld começou sua carreira como assistente do designer francês Pierre Balmain, em 1955. Logo foi contratado pela Chanel, em 1983, onde passou os últimos 36 anos de sua vida. Nesse ínterim, ele também decidia muitas coisas na casa italiana Fendi, na francesa Chloé, e estabeleceu uma marca com seu próprio nome, que vende de brincos de ouro a sapatos.

Credita-se a ele a reinvenção da Chanel, transformando-a de uma pequena casa de costura em uma líder da indústria. Em 2017, quando a marca lançou suas receitas ao público pela primeira vez, o mundo descobriu que ela tinha lucrado R$ 6 bilhões no ano anterior.

Bernard Arnault, o presidente e chefe-executivo da LVMH, que controla a Fendi, chamou Lagerfeld de um "gênio criativo que ajudou Paris a se tornar a capital mundial da moda e a marca em uma das casas mais inovadoras da Itália".

"Nós devemos muito a ele: seu gosto e talento eram a coisa mais excepcional que eu já vi", disse ele, agregando: "Sempre vou lembrar sua imensa imaginação, sua habilidade em conceber novas tendências para cada estação, sua energia, a virtuosidade dos seus desenhos, sua cuidadosa independência, sua cultura enciclopédica e sua sagacidade e eloquência únicos".

O ministro do Interior da França, Christophe Castaner, concedeu entrevista a uma rádio local dizendo que Lagerfeld tinha uma "personalidade imensa e extraordinária" e que ela ajudou a representar um "tipo de arte francesa".

A editora da prestigiada revista Vogue, Anna Wintour, disse: "Hoje o mundo perde um gigante. Karl era muito mais do que nosso grande e prolífico designer -- seu gênio criativo era excitante e ser sua amiga foi um presente excepcional. Karl era brilhante, ele era esperto, engraçado, generoso e profundamente gentil. Vou sentir muito sua falta".

Por muito tempo, o estilo pessoal de Lagerfeld se tornou tão famoso quanto seus desenhos, confirmando seu status de ícone cultural. Seu rabo de cavalo branco gelo, seus óculos escuros e as luvas de couro pretas passaram a ser uma característica própria, assim como seus ternos sempre impecáveis. Seu favorito era um slimline feito pelo designer francês Hedi Slimane quando ele trabalhava na Dior. Em outra famosa frase, ele disse, inclusive, que "perderia 200lb [R$ 1.000] para vestir os ternos de Slimane".

Embora tivesse muitos amigos do mundo da moda, Lagerfeld mantinha sua vida pessoal em segredo. Sua companhia mais famosa era Choupette, uma gata que o designer conseguiu tornar uma celebridade, inclusive criando uma conta própria para ela no Instagram. Sem papas na língua, ele se envolveu em várias polêmicas durante a vida, como em 2017, quando provocou indignação ao evocar o Holocausto para atacar a medida da chanceler alemã Angela Merkel, que tinha decidido abrir as fronteiras da Alemanha para os migrantes.

Apesar de sua saúde cada vez pior, Lagerfeld conseguiu manter o controle do trabalho em dia: sua presença estava prevista para uma demonstração de roupas femininas da Chanel em Paris no dia 5 de março, apesar de não estar bem. "Eu odeio preguiça", disse ele à revista Women's Wear Daily em 2008, "em exceção a ler. Eu sou uma pessoa feita para o trabalho, se esboçar é considerado trabalho. Eu sou muito sortudo de estar fazendo o que gosto e, além do mais, exercendo-o em perfeitas condições", completou.

Em um evento de costura em janeiro foi sua antiga assistente, Virginie Viard, quem o representou. A Chanel tinha confirmado que ela fora "confiada pelo chefe-executivo da marca, Alain Wertheimer, com o trabalho criativo de suas coleções. Assim, o legado de Gabrielle Chanel e Karl Lagerfeld poderia estar vivo".

O presidente da Chanel, Bruno Pavlovsky, disse que o designer alemão "deixou sua marca na lenda de Gabrielle Chanel e na história da casa Chanel". "O grande tributo que podemos dar a ele hoje é continuar a seguir seu caminho e, como ele mesmo disse, continuar a abranger o presente e inventar o futuro".

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