De 1822 a 2022: Oficina de Música de Curitiba leva público a uma viagem no tempo

De 1822 a 2022, a programação da 39ª Oficina de Música de Curitiba ofereceu ao público, nesta segunda-feira (4/7), uma viagem no tempo. No Memorial de Curitiba teve recital com obras de compositores europeus do período da Independêncial do Brasil, no Memorial Paranista o tema foi a Semana de Arte Moderna de 1922, na Capela Santa Maria o violista Iberê Carvalho misturou obras clássicas com elementos de matriz africana, e no Guairinha, a Música Popular Brasileira embalada pelo mais recente álbum de Rogéria Holtz e Daniel Migliavacca Quarteto. 

A 39ª Oficina de Música de Curitiba segue com uma intensa programação de aulas e shows até domingo (10/7). Este ano, a Oficina compõe a programação do Inverno Curitiba.

MPB faz a noite ser feliz no Guairinha 

Pra ser feliz. Esse foi o show dos curitibanos Rogéria Holtz e Daniel Migliavacca que abriu, nesta segunda-feira (4/7), a série de apresentações da 39ª Oficina de Música de Curitiba, no Guairinha. Até a próxima sexta (8/7) o teatro receberá grandes nomes da Música Popular Brasileira, entre eles Janine Mathias, Danilo Caymmi e Cláudio Nucci. 

Com o teatro lotado, Rogéria Holtz e Daniel Migliavacca Quarteto empolgaram o público com composições de Chico Buarque, Lápis e Jorge Segundo, Pixinguinha, Gonzaguinha e composições próprias de Migliavacca. “A Oficina é muito importante para toda a cidade e para o país”, disse Migliavacca.

A paraense Vaniza Botelho Godinho concorda com o músico. “A Oficina é impecável. Eu me intitulo viciada, vou em quase todos os espetáculos”. Em Curitiba há 30 anos, ela conta que a cultura foi decisiva na escolha da cidade para viver. 

Rogéria Holtz também destacou a importância da Oficina. “Tem shows e cursos todos os dias. Oficina é isso, agenda cheia, é só escolher e aproveitar ao máximo tudo o que é oferecido”, comemora a cantora.

Brasilidade e musicofagia 

Perto do Guairinha, na Capela Santa Maria, outro palco da Oficina de Música, o violista Iberê Carvalho, um dos professores dessa edição, trouxe a brasilidade na música erudita. Ele apresentou ao público obras clássicas com pontos de macumba de entidades que representam sua família, como Poema nº2 de Marlon Nobre, Canto de Xangô de Baden Powell e Três Pontos de Orixá, composta pelo próprio músico. A apresentação contou também com a participação da pianista Clenice Ortigara.

“Todas as vezes que estou no palco, enquanto pessoa negra, eu busco trazer algo que me conecte com as pessoas e me desconecte desta visão elitista distanciada. Preciso deixar as pessoas da minha cor à vontade nos espaços de música erudita”, disse Iberê.

A estudante Alina Gabardo que acompanha a Oficina de Música sempre que pode, ficou emocionada com o concerto. “Pontos de Oxossi e Oxum, com um preto tocando viola, na Capela Santa Maria, quer coisa mais brasileira que essa? A Oficina traz para o nosso cotidiano uma música tão maravilhosa e num momento em que todos precisamos de arte e amor”, comentou.

A noite teve ainda a apresentação de Everton Gloeden executando no violão a Suíte BWV996 de Johann Sebastian Bach, escrita para originalmente para alaúde solo.

De Brasília, a turista Luciana Manzan pretende acompanhar a programação da Oficina de Música.

“Foi uma grande surpresa vir para Curitiba bem nesse período. Que coisa maravilhosa é poder aproveitar música de tão boa qualidade e ainda conhecer a cidade”, disse a visitante.

Recital da Independência

Antes do show de MPB,  no Memorial de Curitiba, teve um recital de piano e canto. As sopranos Ana Paula Machado e Ornella de Luca que se apresentaram acompanhadas do pianista Wim Van Moerbeke. 

Os músicos apresentaram um concerto em homenagem aos 200 anos de independência do Brasil. O repertório escolhido foi de grandes compositores europeus do período como Franz Liszt (1811-1886), Felix Mendelssohn (1809-1847) e Gioachino Rossini (1792-1868). 

A apresentação aconteceu na sala onde estão expostas uma série de Reproduções fotográficas de obras do pintor Jean-Baptiste Debret.

Música na Semana de Arte Moderna 

No Memorial Paranista, foi aberto o 2º Simpósio Brasileiro de Musicologia, que este ano debate com especialistas da área da música o centenário da Semana de Arte Moderna. A abertura contou com uma palestra da professora Flávia Toni, da Universidade de São Paulo. O concerto de abertura contou com uma apresentação de violino e piano com as artistas Bettina Jucksh e Carmen Célia Fregoneze.

O simpósio que integra a 39ª Oficina de Música de Curitiba em parceria com a Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR), segue até sexta-feira (8/7) com uma intensa agenda de debates seguidos de concertos.  

Próximas atrações

Nesta quarta-feira (6/7), a Oficina de Música traz para o palco da Ópera de Arame o cantor Toquinho. O show (ingressos esgostados) tem participação especial das crianças e adolescentes do MusicaR, programa de educação musical nas regionais de Curitiba. 

Na quinta-feira (7/7), é a vez de Recife desembarcar em Curitiba no ritmo do frevo. Mestre Spok junto com a Banda Lyra Curitibana se apresentam no Memorial de Curitiba, na abertura do 10º Festival de Inverno do Centro Histórico. 

Parcerias

A 39ª Oficina de Música de Curitiba é uma realização da Prefeitura, Fundação Cultural de Curitiba e do Instituto Curitiba de Arte e Cultura (Icac), Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo Pátria Amada Brasil, com apoio da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, do Banco Nacional de Desenvolvimento de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Sistema Fiep/Sesi e patrocínio da Volvo do Brasil.

Também apoiam o evento: Centro Cultural Teatro Guaíra, Comunidade Evangélica Luterana Igreja de Cristo, Família Farinha, Escola de Música e Belas Artes do Paraná – Campus Curitiba I da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), Teatro Regina Casillo, Lamusa-UFPR e Rádio 97,1 FM Educativa.

Informações da PMC.