Esporte inclusivo: projeto oferece aulas gratuitas de tênis para crianças e adolescentes com deficiência

Sacar e arremessar bolas, conhecer os estilo das empunhaduras e exercícios de percepção do espaço são algumas das atividades que alunos do projeto Transformando Esporte em Amor, da Universidade Livre do Esporte (ULE), Organização Social sem fins lucrativos, fazem durante as aulas gratuitas de tênis para crianças e adolescentes com deficiência física e intelectual.

Embora adaptado às eles, com uma menor exigência técnica e exercícios mais leves, os movimentos são os mesmos dos treinos convencionais e os resultados no desenvolvimento infantil e na autoestima são evidentes. “Para o Vicente, eu vejo a importância na coordenação motora, que hoje é um grande desafio para ele. Os exercícios que o professor propõe são lúdicos, são completos, e eu vejo o quanto ele está feliz, quanto está sendo importante para o desenvolvimento dele”, conta Pamela Wojcik, mãe do Vicente, de 6 anos, que aos três foi diagnosticado com a Síndrome de Williams, transtorno genético raro, que costuma ser descrito a grosso modo como o “oposto do autismo”.

O TEA surgiu no ano passado depois de vários pedidos de pais que sonhavam em uma atividade esportiva inclusiva para os filhos.  “Nós começamos a perceber que as opções para eles (crianças com deficiência física e/ou intelectual) eram bem restritas, pois exigiam uma metodologia diferenciada. Nós já tínhamos adultos com sequelas neurológicas e cognitivas que estavam indo muito bem no tênis, então, resolvemos ampliar e fazer esse projeto para as crianças”, comenta Denise Mendonça, diretora administrativa da ONG.

Atualmente, 30 crianças e adolescentes participam das aulas de tênis inclusivo. Laura Machado, de 11 anos de idade, que nasceu com mielomeningocele, uma malformação na coluna, é uma das pequenas atletas. A menina já fez várias cirurgias e o esporte tem ajudado a melhorar a qualidade de vida dela. “É legal você superar barreiras, mostrar para os outros que falam que você não vai conseguir, que você consegue”, conta. “Nós estamos gostando muito do projeto. Onde muita gente vê limitação, o pessoal do projeto viu uma capacidade incluir a criança no esporte. Estamos orgulhosos em fazer parte de um projeto tão bacana”, ressalta Graziella Machado, mãe da Laura.

Além do desenvolvimento físico e intelectual, a socialização também é um dos benefícios do esporte. De acordo com Celso Marquetti, professor de educação física do projeto, praticar as atividades com pessoas sem deficiência faz com que o aluno perceba que não está sozinho e isso melhora a autoimagem dele, porque ele entende que é capaz. “Percebi também a relação das crianças com o grupo e com os pais. Eles participam das atividades com os filhos . É um momento único”, lembra.

A EXPANSÃO DO PROJETO É UM SONHO IMPORTANTE

A ideia é abrir mais vagas e expandir o projeto para outras cidades do Estado. Para isso, a ONG precisa de ajuda. O gasto com materiais é alto, como explica Denise mendonça, diretora da UE . “Cada bolinha custa cerca de R$ 14 reais e eu preciso de cem bolas para cada turma que eu abro, a mini rede de tênis custa mil reais e ainda tem os uniformes, treinamento e pagamento dos profissionais”

Para captar recursos, a ONG trabalha com campanhas de logística reversa, captação de resíduos (papel, metal), por exemplo. “A gente tenta ser diferente, não pedir doação em dinheiro. Nós pegamos a doação e nós fazemos a renda.  Tudo isso para a gente conseguir ampliar o número de vagas e proporcionar um serviço de qualidade a um custo zero”, ressalta Denise.

Hoje, a ULE conta com o apoio de parceiros como o Centro Universitário Autônomo do Brasil (Unibrasil), a Associação Atlética Banco do Brasil, a AABB e Associação Viking, do Grupo Volvo, que cederam gratuitamente quadras esportivas para as aulas, além do incentivo da Secretaria Municipal do Esporte e Lazer de Curitiba.