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Afago à organizada e casal Crefisa levam Nobre e Galiotte a rompimento

(Foto: Divulgação) - Afago à organizada e casal Crefisa levam Nobre e Galiotte a rompimento
(Foto: Divulgação)

Uma reverência à torcida organizada Mancha Alvi Verde logo após o título do Campeonato Brasileiro foi o ponto inicial de uma briga que culminou no racha entre o ex-presidente do Palmeiras, Paulo Nobre, e seu sucessor, Maurício Galiotte.

Com uma relação conturbada com os organizados desde 2013, quando cortou qualquer tipo de regalia dos torcedores, Nobre se sentiu desconfortável ao saber através de terceiros que o atual mandatário cumprimentou a Mancha com a bandeira do Palmeiras em mãos e foi aplaudido durante a comemoração no Allianz Parque pela conquista do Nacional.

Galiotte argumenta que andou o estádio todo agradecendo aos torcedores de todos os setores pelo apoio durante o campeonato.

Desde então, uma série de divergências fizeram com que os amigos de longa data tivessem a amizade e a aliança política estremecidas.

Se o afago à torcida organizada foi o ponto inicial das divergências, o fator principal do rompimento passa pela candidatura de Leila Pereira, dona da Crefisa, patrocinadora do clube, como conselheira do Palmeiras.

Sempre contrário à ideia de dar espaço à empresária, o ex-presidente foi informado por um diretor palmeirense que Galiotte tinha aceitado o pedido de Leila antes mesmo de tomar posse. Somente o presidente do clube tem o poder de decidir sobre este assunto.

O caso irritou o ex-presidente, que tentou impugnar a candidatura sob a alegação de que a empresária não tinha tempo suficiente como sócia para assumir tal função.

Nobre teve desentendimentos públicos com Leila ao longo de seu mandato. A empresária tem o projeto de se tornar presidente do Palmeiras.

Em fevereiro do ano passado, Mustafá Contursi, líder da chapa "Palmeiras Forte", a qual Leila irá concorrer ao conselho deliberativo,pediu o reconhecimento do título benemérito teria dado a ela e seu marido, José Roberto Lamacchia, em 1996. No último ato de sua gestão, em dezembro de 2016, Nobre negou o pedido, em episódio que ficou conhecido como o de "impugnação da candidatura". As candidaturas serão oficializadas somente no final deste mês.

Votação Esvaziada

Outro fato que enfureceu Nobre foi a absolvição de Arnaldo Tirone, presidente do clube entre 2011 e 2012. Ele teve a sua suspensão de um ano votada pelo Conselho Deliberativo em dezembro, mas escapou da punição por não haver o número de votos necessários para aprovar a medida.

O ex-mandatário correu o risco de ser punido já que as contas do seu segundo ano de mandato não foram aprovadas. Ele foi absolvido graças a conselheiros que estiverem na sessão, firmaram a lista de presença, mas não votaram.

Nobre enxergou as desistências como uma manobra de Galiotte para agradar a Crefisa. Galiotte votou a favor da suspensão de Tirone na reunião do Conselho Deliberativo. José Roberto Lamacchia, dono da empresa, é muito próximo de Tirone e sua absolvição agradaria a patrocinadora.

Último Encontro

O rompimento de Nobre e Galiotte foi sacramentado na primeira semana de janeiro. Pessoas próximas aos dois cartolas confirmaram a briga à Folha.

Em encontro, Nobre ouviu do atual mandatário que ele deixaria a decisão sobre a impugnação de Leila Pereira para o Conselho decidir. A relação com a parceira é boa e ele não pretende sacrificá-la.

Nobre teria ouvido de Galiotte que Leila Pereira não queria que ele estivesse no dia a dia do futebol. Pessoas ligadas ao presidente confirmam que Paulo Nobre manifestou desejo de comandar o departamento de futebol em 2017. O presidente, porém, vetou a ideia por entender que a decisão fugia do modelo de gestão implantado desde o início da gestão de Nobre, marcada pela profissionalização das diferentes áreas. Procurado pela Folha, Nobre disse via assessoria de que não comentaria as decisões do atual presidente do Palmeiras pela imprensa.

Paulo Nobre, então, decidiu cortar as relações e se afastou do atual gestão. Desde então, os dois cartolas não se falam.

O ex-presidente emprestou cerca de R$ 100 milhões ao clube durante seu mandato. A dívida é paga em parcelas mensais, com o repasse de 10 % de tudo o que o Palmeiras arrecada.