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Agredidos antes de clássico em Recife, torcedores do Santa Cruz deixam hospital

Os dois torcedores do Santa Cruz brutalmente espancados na tarde do último domingo, antes da partida entre o time tricolor e seu arquirrival, o Sport, já estão em casa. Amilton Lima, 28 anos, que é dirigente da organizada Inferno Coral, deixou o hospital Getúlio Vargas na manhã desta segunda-feira, mesmo sem ter tido alta médica. O homem assinou um termo de responsabilidade e saiu da unidade de saúde, apesar de ainda precisar passar por uma cirurgia na face, para a correção de fraturas provocadas pelo espancamento. Já o segundo torcedor agredido, André Sales, também dirigente da Inferno Coral, foi liberado ainda no domingo após passar por atendimento e ter o braço esquerdo engessado.

O caso está sendo investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Ainda no início da noite do domingo, dois torcedores do Sport foram identificados e detidos por participação nas agressões. Victor Eduardo Gomes da Silva, de 20 anos, e um adolescente de 17 anos passaram a madrugada de domingo para segunda-feira sendo ouvidos pela Polícia Civil.

Em depoimento, Victor negou envolvimento no crime e apontou o adolescente como responsável pelo espancamento. O depoimento das vítimas, no entanto, contradiz a informação. Victor teria sido reconhecido por uma das vítimas. Além disso, ele aparece claramente em um dos vídeos que registram os espancamentos e foram enviados à polícia por moradores que presenciaram o ataque, ocorrido no bairro do Cordeiro, na zona oeste do Recife.

"Ele (Victor) nega ter participado da agressão, mas diz e aponta que o menor teria sido o responsável. O crime é bastante claro, não foi somente o menor que praticou as agressões, foram diversas pessoas", afirmou o delegado João Brito, que fez o flagrante.

Na manhã desta segunda-feira, Victor foi autuado pelos seguintes crimes: tentativa de homicídio qualificado, rixa, corrupção de menores, associação criminosa e por promover violência no trajeto de ida e volta do local do evento esportivo, todos tipificados no Código Penal, Estatuto da Criança e do Adolescente e no Estatuto de Defesa do Torcedor.

O delegado Paulo Furtado, do DHPP, assumiu o caso a partir desta segunda-feira e deverá concluir o inquérito em até 30 dias. "As investigações continuam e temos como prioridade a identificação de todos os participantes desse absurdo. Pelo que vimos nas imagens, pelo menos 15 pessoas acataram as duas vítimas. Vamos trabalhar para identificar e prender todos eles", destacou Furtado.

Historicamente, o clássico entre Santa Cruz e Sport é marcado por confrontos violentos das organizadas, antes e depois das partidas. No final da manhã desta segunda-feira, em entrevista a uma rádio local, o presidente da Federação Pernambucana de Futebol (FPF), Evandro Carvalho, defendeu a redução da maioridade penal e a pena de morte, ao comentar as agressões a torcedores do Santa Cruz antes da partida de domingo.

Segundo Carvalho, os agressores geralmente têm entre 16 e 30 anos e são "marginais adultos". "Nós temos bandidos de 16 e 17 anos, que são tratados como crianças que precisam de cuidado maternal. São facínoras. Eu, particularmente, sou a favor da pena de morte. Sempre fui e defendo calorosamente", comentou. O presidente da FPF afirmou ainda a entidade vai disponibilizar uma recompensa, em dinheiro, para quem entrar em contato com o Disque-Denúncia e ajudar na localização dos demais agressores.