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Já consciente, lateral Alan Ruschel diz aos médicos que quer churrasco

(Foto: Reprodução) - Já consciente, lateral Alan Ruschel diz aos médicos que quer churrasco
(Foto: Reprodução)

FABIO VICTOR, ENVIADO ESPECIAL

MEDELLÍN, COLÔMBIA (FOLHAPRESS) - Gaúcho, o lateral-esquerdo Alan Ruschel, 27, um dos sobreviventes da queda do avião da Chapecoense, disse aos médicos neste domingo (4) que gostaria de fazer um churrasco na próxima sexta-feira.

O relato foi feito pela equipe que cuida dos sobreviventes num hospital em Rionegro, a 45 km de Medellín, na Colômbia. Assim como os outros três sobreviventes -o goleiro Follman, o zagueiro Neto e o jornalista Rafael Henzel-, Alan está internado na UTI.

Há dois dias foi retirada a sedação e a ventilação pulmonar mecânica, e o jogador tem respondido bem, segundo os médicos. O lateral teve uma fratura grave na região torácico-lombar, mas, segundo os médicos, ele não tem lesão medular nem comprometimento neurológico.

"O Alan está acordado, lúcido, sem sinais de infecção. Está bem tranquilo. Está muito bem, hoje ele conversou com a gente, disse que ia fazer churrasco para nós na sexta-feira", disse o cardiologista Edson Stakonski, da Chapecoense.

O ortopedista especialista em coluna Marcos André Sognali, que também é do time catarinense e também está na Colômbia, contou que, na conversa com o lateral, perguntou se podia levar Follman [que toca violão] para tocar no churrasco.

Segundo Sognali, Alan, Follman e Rafael estão "extremamente conscientes". "E em algum momento eles abordam a gente durante a visita sobre o que está acontecendo, eles perguntam uns pelos outros. Alan perguntou pelo Follman, perguntou onde ele estava e como ele estava. A gente não quis entrar num detalhe mais técnico. Mais ele já sabe de algo."

Num texto publicado neste domingo em redes sociais, Amanda Ruschel, irmã de Alan, relatou que no sábado, após ser retirada a sedação, um psicólogo contou ao jogador o que havia acontecido. "Alan só fala que quer voltar, e quer sair de lá. E sabe que foi um milagre de Deus. Meu pai disse que essa noite ele se agitou muito. Pediram pra ele ficar tranquilo, e assim voltará o mais rápido possível pra casa", escreveu a irmã.

Follman, 24, também tem boa evolução, segundos os médicos, que afirmam acompanhar a evolução das feridas resultantes da amputação da perna direita do jogador.

O caso mais crítico é o do zagueiro Neto, 31. Ele é o único que continua sedado e com ventilação pulmonar mecânica e tem uma infecção no pulmão. "Estamos controlando um processo infeccioso pulmonar possivelmente causado por broncoaspiração [aspiração de corpo estranho ou conteúdo gástrico]. Ele foi o que ficou mais tempo no local do acidente antes de ser resgatado, é o sobrevivente que psicologicamente foi mais atingido pelo acidente, e isso faz com que sua condição seja a mais crítica neste momento", disse o diretor médico do hospital San Vicente, Ferney Rodríguez.

Os médicos brasileiros pediram que se tenha paciência com a evolução de Neto. "Saímos da fase de emergência, agora temos que ter parcimônia. O Neto ficou sete horas [do resgate até chegar ao hospital]. Ele respondeu muito bem num primeiro momento, porque é muito forte, mas ele foi consumindo essa energia. Então tem que dar um tempo para ele, deixar ele descansar, deixar esse respirador expandir esse pulmão melhor, deixar que as coisas aconteçam mais lentamente com ele", disse Stakonski.

O jornalista Rafael Henzel Valmorbida, 43, da rádio Oeste Capital, de Chapecó, segue em estado crítico. Ele também tem uma infecção pulmonar e teve sete fraturas nas costelas, mas apresenta uma melhora, informaram os médicos. Ele está consciente e conversando com parentes. "Ele tem uma pneumonia, tem uma infecção que está sendo tratada com antibiótico, com uma boa evolução. Estamos bem esperançosos", disse Stakonski. "O Rafael teve uma melhora muito grande ante um quadro muito crítico", acrescentou Sognali.

De modo geral, observou Stakonski, "pelo tamanho da catástrofe, a recuperação deles tem sido excelente".

Os médicos reiteraram que não têm abordado com os sobreviventes aspectos específicos do acidente -afirmam que isso cabe às famílias, com o auxílio de psicólogos do hospital- e que não há previsão de transferência dos pacientes para o Brasil.