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Torcedores do Colorado e Pinheiros relembram times que formaram o Paraná Clube

- Torcedores do Colorado e Pinheiros recordam times que formaram Paraná

Muitas pessoas conhecem a história do futebol paranaense, em especial da cidade de Curitiba, e as fusões que aconteceram ao decorrer dos anos entre vários clubes. Até o ano de 1989, haviam se consolidado quatro clubes na capital: Colorado, Pinheiros, Coritiba e Atlético. 

A última junção havia sido quase duas décadas antes, quando Palestra Itália, Britânia e Ferroviário deram origem ao Colorado. E foi o “Boca”, apelido do time, que protagonizou a outra junção de clubes, junto com o Pinheiros. As diretorias dos dois clubes se reuniram em 1988 para iniciar as conversas para a criação do Paraná Clube.

O nome, as cores, os símbolos e o slogan foram criados em um pedaço de guardanapo. No decorrer do ano, marcas foram incorporadas - como a gralha-azul e a araucária - e o hino foi composto com os slogans dos dois clubes formadores: “o poder da realização”, do Pinheiros; e “a alegria do povo”, do Colorado.

(Foto: Divulgação / Paraná Clube)(Foto: Divulgação / Paraná Clube) 

E os torcedores?

Mas além de reuniões e decisões da diretoria, tinham também os torcedores dos dois clubes. O engenheiro James Skroch era um deles. Sempre torcedor do Colorado, começou a acompanhar o time por conta do pai, que antes era Ferroviário. 

James relembra a primeira vez que foi na Vila Capanema, em um jogo entre Colorado e Pinheiros. Ele estava sentado na arquibancada, mas o pé não encostava no chão. Outra lembrança é da final do Campeonato Paranaense de 1980, entre Colorado e Cascavel Esporte Clube. “Eu e meu pai chegamos cedo no estádio e perto do Bar dos Ferroviários, que existia na frente, encontramos o centroavante Ditão, que havia sido contratado para a temporada de 1981, e a torcida pedia para que ele jogasse para fazer os cinco gols que o Colorado precisava”, conta.

Naquele estadual os dois times dividiram o título. A partida foi encerrada antes do apito final, pois o Cascavel ficou com seis jogadores em campo por expulsões e lesões e o Colorado estava ganhando por 2 a 0. “O time só fez dois gols e eles [Cascavel] começaram a cair, o jogo não terminou e a Federação dividiu o título”, relembra.

No final da década James não tinha mais o time para torcer, mas começou a acompanhar o recém nascido Paraná Clube. “A princípio foi estranho pois o time que eu torcia não iria existir. Fiquei sabendo da fusão através de um amigo em 1988, quando ainda estava nos bastidores, mas acompanhei o nascimento do Paraná através do jornais. Então já no início eu e meu pai começamos a ir nos jogos, em 1990 e 1991 fomos em quase todos.”, diz.

Torcedores do Colorado e Pinheiros recordam times que formaram Paraná

Metade azul

Ao contrário de James, Luiz Evaristo não seguiu os passos do pai e também não torce para o Paraná Clube. 

Desde 1977, Luiz é torcedor do Pinheiros. A paixão começou quando o pai, que torcia para o Colorado, o levou para um jogo da Taça Cidade de Curitiba, entre os dois times. “Meu pai me levou no jogo e disse ‘vou te levar para ver meu time, o Colorado, você vai ver como meu time é bom, como é maravilhoso’. Mas o Pinheiros venceu por 2 a 1 e na minha cabeça, ainda bem jovem, com 11 anos, pensei: ‘poxa, se o time do meu pai é bom, imagina esse de azul que ganhou o jogo’. Ali me tornei pinheirense e esse amor permanece até os dias de hoje”, conta.

O pai não ficou decepcionado pela escolha do filho. “Por incrível que pareça, quando o Pinheiros foi campeão paranaense em 1984 ele vibrou mais do que eu. Ele nasceu em Brusque e lá ele torcia para o XV de Outubro, então pode ser também um motivo dele não ter ligado muito pelo fato de eu ter me tornado pinheirense”, relembra.

De todas as memórias do Pinheiros, a que mais marcou Luiz foi a decisão do estadual daquele mesmo ano, quando venceu o Atlético na final, no Couto Pereira. “Faltei prova para ir no jogo, estava cursando o último ano de Contabilidade, não podia faltar de jeito algum. E foi uma emoção indescritível ver meu time pela primeira vez campeão paranaense depois que mudou de nome de Água Verde para Pinheiros. Foi incrível mesmo.”

Mas para Luiz a fusão junto com o Colorado e a criação do Paraná Clube foi um pouco diferente. “No dia seguinte à fusão eu fui na sede do clube cancelar o meu título. Até hoje quando perguntam para qual time eu torço, sempre digo que é para a metade azul do Paraná Clube”, diz.

Com o novo clube já consolidado, Luiz foi apenas duas vezes assistir o time em campo e em ambas as vezes foi convidado. “Minha reação foi tranquila, não me senti emocionado em momento algum. Até porque a Vila Capanema era do Colorado. A minha casa era lá no Boqueirão, no Erton Coelho Queiróz, que hoje chamam de Vila Olímpica”, relembra.

Hoje, a Vila Olímpica é sede dos jogos das categorias de base do Paraná e o fiel torcedor do Pinheiros guarda boas lembranças do estádio. “Aquele lugar para mim é mágico porque acompanhei desde que era um monte de terra ao redor do campo, vi aquilo crescer”, finaliza.

Conquistas

Juntos, Pinheiros e Colorado somaram durante a história três títulos estaduais. Como Paraná Clube são sete títulos do Campeonato Paranaense, um da Segundona, um do Brasileiro Série B e um do Módulo Amarelo da Copa João Havelange. A principal competição disputada foi a Libertadores de 2007, quando chegou até as oitavas de final.

Colaboração Patricia Zeni

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