Bolsonaro critica CoronaVac e volta a defender remédios sem eficácia contra Covid

Por Maria Carolina Marcello

BRASÍLIA (Reuters) – O presidente Jair Bolsonaro criticou nesta quinta-feira a CoronaVac, vacina mais usada no país contra a Covid-19 até o momento, e voltou a defender o uso de medicamentos sem eficácia contra a doença.

“Vocês estão vendo que essa vacina CoronaVac está com problemas em alguns países do mundo, como por exemplo o Chile, entre outros. No Brasil não está sendo diferente. A gente vê notícias de asilos, por exemplo, que têm dezenas de idosos que tomaram as duas doses, depois de algum tempo, as pessoas são infectadas e entram em óbito”, disse Bolsonaro em sua transmissão semanal ao vivo pelas redes sociais.

“Se você tomou a vacina CoronaVac e por ventura venha a ser infectado, procure um médico, quem sabe você pode iniciar o tratamento precoce”, afirmou, fazendo referência ao chamado tratamento com remédios que não têm efeito contra a Covid, como a cloroquina e a ivermectina.

“Botaram na cabeça dessas pessoas que se ela tomar a vacina, se for acometida do vírus, as consequências do vírus não vão ser muito sentidas, vão ser brandas, e tem gente morrendo por causa disso”, acrescentou.

Ao contrário da declaração do presidente, um estudo conduzido pelo Instituto Butantan, que é o responsável por envasar a vacina no Brasil, a CoronaVac levou a uma redução de 95% nas mortes por Covid-19 na cidade de Serrana, no interior de São Paulo, após a vacinação em massa da população adulta do município.

A demora do governo federal para comprar vacinas está sendo investigada pela CPI da Covid no Senado. Segundo especialistas, milhares de mortes teriam sido evitadas se o Brasil tivesse comprado vacinas mais cedo.

Bolsonaro desde o ano passado critica as vacinas, em especial a CoronaVac, uma vez que o Butantan é ligado ao governo de São Paulo, do governador João Doria, adversário político do presidente. Na transmissão desta quinta, o presidente voltou a dizer que será o último a se vacinar.

O Brasil tem o segundo maior número de mortes por Covid-19 no mundo, com quase 510 mil óbitos, atrás apenas dos Estados Unidos. Atualmente, o país é o epicentro da pandemia no planeta, sendo responsável por uma de cada quatro mortes no mundo pela doença.