Casos de violência no campo aumentaram 5,44% em 2022

O campo brasileiro ficou mais violento no primeiro semestre de 2022, segundo relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT), divulgado nesta segunda-feira (24). Foram contabilizados 601 conflitos por terra desde o início do ano, o que representa um aumento de 5,44% nos casos de violência no campo, em relação ao mesmo período do ano passado.

Os indígenas (34,66%) foram as principais vítimas desta violência. E, segundo o líder Caripuna, de Rondônia, continuam sendo alvo de ameaças constantes. “De morte. Já prometeram atacar a aldeia; o território indígena também está sendo desmatado, cada vez mais, pela dita palavra grilagem”, relata Adriano Caripuna.

Quilombolas (23,10%), sem terras (12,45%) e posseiros (10,83%) também têm sido alvo de ataques.

De acordo com o levantamento da CPT, a região amazônica concentrou 55,85% no período analisado. Uma das consequências desse avanço na ocupação ilegal de terras é o número de assassinatos: 33 pessoas foram assassinadas por conflitos no campo até o dia 05 de outubro, em todo o país; 25 delas só no primeiro semestre – aumento de 150%.

Entre as execuções que corroboram para esse número alarmante está a do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillip, em junho deste ano, no Amazonas. Mulheres foram vítimas de 5 assassinatos, o maior número dos últimos 6 anos.

O relatório da CPT aponta a reforma agrária e a demarcação de terras indígenas como formas de reduzir essa violência. “Um modelo de desenvolvimento que garanta preservação das espécies, preservação da natureza, dos modos de vida dessas comunidades, desses povos que vivem ali”, conclui o integrante da Coordenação Nacional da Comissão Pastoral da Terra, Ronilson Costa.

Informações SBT News