China intensifica foco na segurança alimentar em importante documento político

Por Dominique Patton e Hallie Gu

Lavoura de milho na província de Yunnan, China

PEQUIM (Reuters) – A China colocará mais pressão sobre suas regiões em busca de um aumento na produtividade de grãos e ampliará o apoio à indústria doméstica de sementes, à medida que intensifica o foco na segurança alimentar após a pandemia de Covid-19, indicou um importante documento político divulgado na noite de domingo.

O plano anual de política rural do país, conhecido como o “documento nº 1”, deu maior ênfase à segurança alimentar do que em anos anteriores, pedindo que todas as províncias melhorem a produtividade de grãos durante o período de 2021 a 2025.

Pequim, que há muito tempo trata a segurança alimentar de sua população de 1,4 bilhão de pessoas como prioridade, reforçou o foco na questão desde que a pandemia afetou grandes países exportadores de alimentos no ano passado, gerando preocupações sobre a estabilidade das ofertas alimentícias.

“A incerteza e a instabilidade da situação externa aumentaram significativamente. Em relação à segurança dos grãos, não podemos encarar isso de forma leve nem sequer por um momento”, disse o ministro da Agricultura chinês, Tang Renjian, em um briefing à imprensa nesta segunda-feira, destacando que a população da China ainda está aumentando.

O documento, publicado pelo Conselho de Estado da China, indicou que os comitês do Partido Comunista também vão arcar com a responsabilidade pela segurança alimentar, além do governo local.

A China construirá um “cinturão nacional da indústria de segurança alimentar”, acrescentou o documento, plano que já havia sido mencionado em uma importante reunião de política econômica em dezembro.

O documento também reiterou a nova prioridade no setor de sementes, visto como fundamental para a segurança alimentar, e pediu uma implementação mais rápida de grandes projetos científicos de melhoramento genético.

A China também vai estabilizar a produção de soja e desenvolver a produção de oleaginosas comestíveis, incluindo canola e amendoim, disse, em meio a uma oferta global mais restrita de óleos vegetais, e pretende diversificar suas importações de produtos agrícolas.

(Reportagem de Hallie Gu, Dominique Patton, Judy Hua e Yew Lun Tian)

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