Fome atinge três em cada dez famílias brasileiras, diz pesquisa

Um estudo realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar (Penssan), divulgado nesta quarta-feira (14), aponta que três em cada 10 famílias brasileiras não têm o suficiente para comer e passam fome. Considerado o recorte nacional, a insegurança alimentar grave (fome) atinge 15,5% da população, enquanto 15,2% vivem em situação de insegurança alimentar moderada (redução de alimentos).

De acordo com os dados, a maior proporção de famílias que passam fome está nas regiões Norte (54,6%) e Nordeste (43,6%). O cenário também é maior em domicílios com crianças de até 10 anos, que apresentou um aumento significativo em um ano, passando de 9,4%, em 2021, para 18,1% em 2022. No total, 12.745 famílias em 577 cidades foram entrevistadas para a pesquisa.

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“O acesso desigual e insuficiente à renda, aos bens e serviços e às políticas públicas são as condições que melhor explicam as iniquidades relativas à garantia de alimentação adequada. Muitos estudos demonstram que existe uma relação inversa entre renda familiar e a presença de insegurança alimentar, ou seja, nos domicílios com menor renda, os moradores estão mais sujeitos à baixa capacidade de acesso aos alimentos e a níveis de insegurança alimentar mais severos”, diz o estudo. 

No geral, mais de 90% dos domicílios entrevistados cuja renda per capita era inferior a um salário mínimo, os moradores possuíam algum grau de insegurança alimentar. Além disso, 71% dos moradores apresentaram restrição na quantidade de alimentos, enquanto 43% afirmaram estar em situação de fome. Em domicílios com renda maior que o piso mínimo, por outro lado, a segurança alimentar esteve presente em 67,0%.

“Embora os números indiquem a precarização das condições alimentares para o conjunto do país, os traços do empobrecimento e das estratégias de sobrevivência das famílias se manifestam desigualmente entre as regiões, principalmente no meio rural. Enquanto 41,3% da população brasileira dispõem de mecanismos de defesa da renda e preservação do poder de compra, quase 60,0% das famílias se veem desprotegidas e incapacitadas”, conclui a Penssan.

Informações SBT News